Curitiba - O ex-deputado federal Gustavo Fruet anunciou ontem sua saída do PSDB, na tentativa de viabilizar sua candidatura à Prefeitura de Curitiba nas eleições do próximo ano. Fruet começou sua vida política no PMDB, mas estava no PSDB desde 2004. A confirmação sobre sua saída foi feita ontem à imprensa, em entrevista no seu escritório em Curitiba. Já no final da manhã, sua saída repercutia mal entre lideranças do PSDB, que alegaram surpresa com a decisão de Fruet. O líder da bancada aliada ao governo do Estado no Legislativo, deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), foi além: ele disse que o PSDB se sente ''traído'' com a saída do ex-parlamentar.
A trajetória que culminou com a saída de Fruet começou no início do ano, quando ele perdeu a possibilidade de assumir o comando do diretório tucano da Capital. Mas os atritos com a cúpula do PSDB surgiram antes, nas costuras finais para a formação de uma chapa às eleições de 2010. A aliança tucana com o PP foi reprovada por Fruet, mas, para viabilizar a união, ele acabou abrindo mão da reeleição para a Câmara Federal e colocou seu nome na corrida ao Senado. ''As urnas não me deram a vitória, mas colocaram-me outra vez na posição legítima de buscar a Prefeitura de Curitiba'', diz trecho da carta que Fruet entregou ontem ao presidente do PSDB no Paraná, o governador Beto Richa.
Candidato certo à Prefeitura da Capital, Fruet passou o primeiro semestre cobrando uma postura do PSDB, que na Capital apoia o sucessor de Beto Richa no Executivo, Luciano Ducci, do PSB, candidato à reeleição em 2012. ''A decisão, tomada com tristeza após meses de conversações internas infrutíferas e muita reflexão, foi movida por sentimento de profunda incompreensão com o silêncio e a falta de clareza da direção do partido na Capital, especialmente quanto à participação na sucessão de Curitiba'', escreveu Fruet.
A reação ao anúncio de Fruet foi imediata. O deputado estadual Ademar Traiano disse que a carta mencionada por Fruet não chegou ao PSDB e que ''ela se tornou pública antes de qualquer contato''. ''Soubemos pela imprensa. Mas o acordo era que ele não tomaria nenhuma decisão antes de falar com a gente'', disse Traiano. O tucano afirmou ainda que a pretensão de Fruet, em disputar a Prefeitura de Curitiba, é ''justa'', mas que ele precisaria ter ''construído'' sua candidatura. ''Ele age isoladamente. Infelizmente é o estilo dele. Exemplo disso é que ele está saindo sem levar lideranças com ele. Política não se ganha isoladamente'', criticou Traiano.
Ao ser questionado sobre o silêncio por parte da cúpula em torno da candidatura de Fruet, Traiano justifica que a discussão foi antecipada. ''A eleição é o ano que vem. Ninguém estava afastando a possibilidade dele sair candidato. Mas é cedo. Mas também não vamos ficar agora aqui chorando pelo leite derramado'', disse ele. Traiano afirmou ainda que eles esperavam que Fruet confirmasse sua permanência no PSDB, para que em seguida Beto Richa fizesse o apoio público e oficial. Mas, ao ser questionado se o apoio era garantido, Traiano desconversa: ''Temos que fazer pesquisas, avaliar potencial de crescimento''.
Fruet tem recebido propostas de outras siglas, que oferecem cabeça de chapa no próximo pleito. Mas a definição sobre sua próxima filiação ficou para o final de agosto.

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