Curitiba - O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), integrante da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a possível existência de um esquema de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), disse ontem que mesmo com o recesso parlamentar os trabalhos da CPMI não serão interrompidos. De acordo com Fruet, várias licitações estão sendo questionadas e envolveriam outros diretores indicados pelo PT e não o diretor responsável pelas operações, Maurício Marinho flagrado negociando valores para benefício de terceiros. ''Na verdade, ninguém esperava um turbilhão destes que está ocorrendo dentro do governo do PT. Tudo isso traz um lado triste sob o ponto de vista político. O PT (que é importante para o Brasil) vai ter que ter a capacidade de se encontrar neste episódio. A melhor forma é isolando o grupo ligado ao ex-ministro José Dirceu'', ponderou o deputado federal.
Fruet disse que a impressão é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai procurar se ''blindar'' procurando um grupo diferente dentro do PT. ''Ele vai ter que procurar novos parceiros, em quem ele possa confiar'', avaliou. Os depoimentos prestados até agora revelaram três linhas de investigações que precisam ser aprofundadas, segundo Fruet. A diretoria indicada pelo PTB foi a primeira a ser investigada, já que as gravações reveladas demonstravam Marinho negociando R$ 3 mil para consultoria. Com os depoimentos, a CPMI começou a investigar também o envolvimento de pessoas ligadas à área de segurança do governo federal em ações de governo (Polícia Federal e Abin Agência Brasileira de Investigação). Novos indícios apontam agora para investigação das nomeações feitas pela cúpula nacional do PT dentro dos Correios e do Instituto Brasileiro de Resseguros.
''É estranho verificar que o governo federal mantinha pessoas ligadas à área de inteligência dentro dessas empresas. Ou era chantagem ou havia uma disputa grande dentro dos quadros do próprio governo. Os diretores ligados aos contratos e a valores eram indicados pela cúpula do PT. Por quê?'', questionou o parlamentar. As diretorias petistas estão com 15 contratos suspeitos, sob a mira da CPMI. Um deles envolve o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, citado pelo deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) como sendo um dos operadores do mensalão. Fontes revelariam que as empresas do publicitário teriam sacado R$ 20,9 milhões em dinheiro vivo entre julho de 2003 e maio de 2005.

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