Fruet deixa o PMDB e pode ir para o PSDB
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quinta-feira, 09 de setembro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O deputado federal Gustavo Fruet criou um fato político a menos de um mês das eleições de 3 de outubro. Ontem, ele anunciou oficialmente sua desfiliação do PMDB, assinada ontem mesmo em Brasília. O anúncio apenas tornou oficial o que já vinha sendo delineado há meses. Decepcionado com o tratamento que ele e seu grupo receberam do seu partido no período das convenções, em junho, Gustavo decidiu seguir outro rumo e pode engrossar a campanha do candidato do PSDB à Prefeitura de Curitiba, Beto Richa.
O sonho de Gustavo era sair candidato a prefeito, mas o PMDB optou coligar com o PT de Ângelo Vanhoni, como defendeu o governador Roberto Requião (PMDB). A aposta no meio político é que Gustavo assine, nos próximos dias, ficha no PSDB e passe a apoiar a candidatura de Beto. O tucano já vinha tentando atrair Gustavo para o PSDB, e agora, com a saída dele do PMDB, anunciou que vai convidar Gustavo abertamente. Beto Richa, que é presidente licenciado do PSDB do Paraná, classificou como corajosa a atitude Fruet.
Por enquanto, Gustavo prefere fazer mistério em relação a seu futuro partido. Ele disse que não pretende se filiar de imediato a outra legenda. Mas promete anunciar nos próximos dias sua posição em relação à disputa eleitoral em Curitiba. ''Para mim é triste (a saída). Mas é uma decisão serena. Não tenho pressa de buscar outra legenda, até porque após as eleições haverá uma natural reacomodação partidirária'', ponderou. ''O que tem de pior na vida é não tomar posição. E em política isso é fatal. Eu vou anunciar a minha nos próximos dias.'' Especificamente sobre o PSDB, o deputado disse apenas que ''até pode'' se filiar, mas que tem convites de outros partidos também.
Gustavo estava no PMDB desde 1991, seguindo os passos do pai, o ex-prefeito de Curitiba e ex-deputado estadual e federal Maurício Fruet. O pai de Fruet começou a carreira política no MDB (que deu origem ao PMDB) e morreu em 1998.
A família Fruet foi aliada antiga de Requião. O irmão de Gustavo, Cláudio Fruet, é advogado em Brasília e defendeu Requião em diversas causas. A irmã do deputado, a economista Eleonora Fruet, foi escolhida por Requião para ocupar o cargo de secretária de Estado do Planejamento e Coordenação Geral. Ela assumiu logo no início do governo, em janeiro de 2003, e ficou um ano e meio na função. Mas Eleonora decidiu desfazer a ligação com o governo estadual durante a briga de Gustavo para disputar a Prefeitura de Curitiba, em junho. Ela pediu para sair e Requião não insistiu.
Se optar realmente pelo PSDB, Fruet migra para o grupo de Beto Richa, que já tem o apoio do senador Osmar Dias (PDT) e do PSB do ex-governador Jaime Lerner. Osmar Dias é visto como nome forte para disputar, eventualmente, a sucessão de Requião. Uma eventual acomodação no PSDB abre oportunidades a Gustavo Fruet, que não decidiu se vai tentar novamente disputar a Prefeitura Municipal.


