Curitiba - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), tornou-se o principal cabo eleitoral do deputado tucano Gustavo Fruet na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados e trabalha para levá-lo ao segundo turno. A eleição ocorrerá na próxima quinta-feira e tem como candidatos, além do paranaense, os deputados Arlindo Chinaglia (PT) e Aldo Rebelo (PC do B).
Neves já foi presidente da Câmara e tem um bom trânsito por outros partidos. Por isso, busca votos para Fruet, nas bancadas mineiras, em outros partidos como PMDB e até no oposicionista PFL. Estas informações foram confirmadas por Fruet, em entrevista à Folha ontem.
''O Aécio Neves tem liderança em Minas Gerais e em outros Estados'', disse o deputado. Os dois tiveram um encontro na última quarta-feira, no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. ''Você vai ganhar esta eleição'', disse Aécio ao próprio Fruet. O governador de Minas Gerais também tem facilidade para angariar votos para o candidato tucano porque está à frente de uma administração estadual sustentada por uma aliança pluripartidária.
O candidato do Paraná disse ontem que já conversou com cerca de 400 do total de 513 deputados federais que escolherão o presidente da Câmara na próxima quinta-feira. Hoje, os três candidatos participam de um debate na TV Câmara, marcado para às 11 horas. À tarde, Fruet pretende visitar deputados nos gabinetes.
Uma enquete publicada ontem pela Folha de São Paulo com a participação de 441 deputados federais, mostrou que 21,2% (93 deputados) não quiseram revelar em quem vão votar. Outros 35,1% (129) votarão em Aldo Rebelo. Apenas 14,5% (64) optaram por Fruet. Caso essa tendência seja confirmada, a disputa vai para o segundo turno. Mas, tudo aponta que a decisão final será entre Rebelo e Chinaglia. Para chegar ao segundo turno, Fruet precisaria de algo como 140 votos.
Mas, o governador mineiro parece não estar assustado com os números. Na conversa que teve com Fruet, ele apontou semelhanças entre a disputa atual pela presidência da Câmara e a que resultou na sua própria eleição para presidir a casa. Para ele, o voto secreto muitas vezes esconde surpresas.
Neves foi presidente da Câmara nos anos de 2001 e 2002. Foi eleito através de uma campanha que começou até com falta de apoio do presidente da República da época, Fernando Henrique Cardoso. Por este e outros motivos, ele acredita que Fruet pode trazer surpresas.

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