Friedrich diz que fica na Itaipu até fim do ano
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O diretor de coordenação da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, não pretende deixar seu cargo na estatal, pelo menos até o final do ano. Friedrich está sofrendo pressões do diretório nacional do PDT, partido ao qual é filiado, para pedir sua exoneração. Na última sexta-feira, o diretório da sigla baixou uma ordem para que todos os pedetistas em cargos de confiança no governo federal deixassem seus postos, como uma forma de marcar o afastamento entre o partido e o governo Lula.
O diretor de coordenação da Itaipu afirmou ontem que só irá tomar uma posição a respeito da decisão do diretório nacional a partir do ano que vem. ''Essa decisão ainda não está em pauta no momento. Só vou decidir sobre isso a partir de janeiro'', disse Friedrich.
O adiamento da decisão é uma manobra de Friedrich para tentar ganhar tempo enquanto parlamentares pedetistas tentam alterar a resolução do diretório nacional. A reunião do diretório foi convocada pelo presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, à revelia de um grupo de oito deputados federais e da bancada de cinco senadores da sigla em Brasília. Brizola teria sentido sua autoridade diminuída quando membros do PDT foram convocados para cargos de confiança por Lula sem que o cacique pedetista tivesse dado sua anuência. A nomeação específica do ministro de Comunicações, Miro Teixeira, que é desafeto de Brizola, teria movido o presidente da sigla a baixar a resolução.
Embora não afirme que irá desrespeitar a ordem do diretório nacional, o que lhe poderia valer a expulsão da sigla, Friedrich deixa transparecer em seu discurso a intenção de permanecer em Itaipu. ''Tenho um compromisso com esse governo, que é o primeiro governo progressista desde 1964 (época em que se instalou a ditadura militar no Brasil)'', disse o diretor de Itaipu.
Caso o grupo de parlamentares não consiga demover Brizola da decisão de pedir a cabeça dos pedetistas no governo Lula, especula-se nos bastidores que Friedrich deve optar por deixar a sigla e permanecer no cargo. Friedrich deixou o cargo de presidente estadual da legenda, sendo substituído pelo senador Osmar Dias que teve as bençãos de Brizola.
O prejuízo político para Friedrich também não seria dos maiores. Seu afastamento da sigla implicaria apenas em uma impossibilidade de disputar as eleições municipais de 2004. (Colaborou Maria Duarte)


