Brasília - A campanha de Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB) quer abafar o episódio envolvendo o presidente do PTB, deputado José Carlos Martinez (PR), e o empresário PC Farias, que foi tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor.
Em reunião ontem pela manhã, Ciro disse que não falará mais sobre o empréstimo de PC a Martinez, porque isso não diz respeito a sua campanha, mas a negócios privados do deputado.
A decisão da cúpula da Frente Trabalhista é deixar para Martinez a tarefa de explicar seu relacionamento com PC Farias, morto em 1996. O episódio levou o deputado, na noite da última terça-feira, a pedir afastamento da coordenação-geral da campanha de Ciro.
Segundo o líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), que estava com Martinez quando ele telefonou para Ciro, o presidenciável não aceitou o pedido.
O presidente do PDT, Leonel Brizola, e Jefferson também disseram ser contra a saída de Martinez do comando da campanha.
Ele argumentou que o empréstimo foi legal: ''O dinheiro era legal, foi declarado, está no inventário de PC, o Martinez nem era deputado, o PC nem era investigado, foi um contrato particular entre dois empresários. O que o Ciro tem a ver com isso? Como não acham nada contra o Ciro, ficam pegando na volta''.
Segundo Jefferson, Martinez não apresentou documentos para comprovar que o empréstimo foi declarado no inventário de PC. ''Ele falou que está no inventário. Para nós isso basta. Não tenho direito de pedir documentos de negócios particulares do Martinez'', afirmou Jefferson.
Brizola também pregou a separação dos atos da candidatura Ciro Gomes das atividades privadas de seus aliados. Para ele, cabe a Martinez fazer sua defesa, sem vincular seus negócios à campanha. ''Não deixa de ser uma impertinência sem cabimento ligar nossa campanha a fatos ocorridos há mais de dez anos e que envolvem operações particulares.''

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