Frente pede liberação de recursos
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segunda-feira, 02 de julho de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Políticos e lideranças comunitárias instalaram ontem uma Frente Comunitária Suprapartidária para debater a liberação urgente dos recursos bloqueados pelo governo do Estado desde outubro de 2006 e que seriam usados para obras em Curitiba. Entre as obras estariam a restauração e asfaltamento de vias públicas, construção de um Hospital Geriátrico e implantação do Anel Viário. Antes do período eleitoral (2006), foram liberados R$ 868,5 mil.
A frente considera o corte de recursos como político - já que teria ocorrido após o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), admitir apoio ao candidato Osmar Dias (PDT) no segundo turno das eleições governamentais.
Em entrevista à FOLHA, o governador Roberto Requião (PMDB) justificou à época do corte de recursos que o governo do Estado não poderia liberar as verbas para Curitiba porque o município estaria inadimplente com valores emprestados na época da construção da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). ''Se houvesse inadimplência, isso teria ocorrido já - porque foram liberadas verbas antes das eleições. Então, o governador já teria cometido o crime de improbidade administrativa. O que não ocorreu porque não existe inadimplência'', considerou Osmar.
Beto Richa também afirmou que o corte de verbas foi político. ''Antes da eleição, eu e o governador tínhamos um bom entendimento. Os recursos eram liberados e dialogávamos'', complementou Beto. Para o prefeito, Curitiba pagou a CIC com resultados em impostos. Hoje, a CIC seria responsável por 30% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na capital paranaense (ICMS) e 20% da arrecadação estadual. Além disso, por ser dívida da década de 70, já teria prescrito.
A Comissão de Assuntos Metropolitanos decidiu ontem que vai convocar para falar na Assembléia Legislativa o secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, Luiz Forte Netto - que não compareceu ontem à audiência pública. Apesar de fazer oposição a Beto Richa na Câmara Municipal, o vereador Paulo Salamuni (PV) considerou o corte como um ato de ditador. ''Há homens que fazem das obras públicas uma continuação de suas vidas privadas.''
A liderança do Governo na Assembléia Legislativa informou ontem que o governo do Estado investiu em obras R$ 700 milhões em Curitiba no primeiro governo Requião. Além disto, repassaria descontos para 64,5 mil famílias curitibanas nas tarifas de água e luz; isentaria 30,8 mil empresas de impostos; e teria distribuído 852 mil livros didáticos para alunos do ensino médio.


