Gilse Guedes
Agência Estado
De Brasília
Nos principais colégios eleitorais do País, a Frente Nacional das Esquerdas, integrada pelo PT, PDT, PC do B e PSB, deve dissolver-se antes das eleições municipais por causa das brigas e disputas regionais. No Rio, as desavenças entre o presidente nacional do PDT, o ex-governador Leonel Brizola, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), e o PT podem levar a um racha da coligação no Estado, formada desde as sucessões estadual e presidencial de 1998.
Enquanto o PT quer encabeçar uma aliança para a prefeitura com os pedetistas, o PDT prefere lançar candidatura própria com Brizola na disputa. Garotinho, que protagoniza uma longa história de disputas e troca de farpas com Brizola, diz que não aceita o lançamento da candidatura do dirigente pedetista e defende a candidatura da vice-governadora Benedita da Silva (PT) à sucessão do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), numa aliança com o PDT.
Em São Paulo, o PDT se prepara para lançar o deputado José Roberto Batochio candidato a prefeito para fazer oposição à ex-deputada Marta Suplicy e à deputada Luiza Erundina (PSB-SP). ‘‘A frente eleitoral não existe porque o PT sempre quer que o PDT funcione apenas como um ator coadjuvante’’, disse o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ).
Para o líder do PT na Câmara, José Genoino (SP), o partido não pode se ‘‘submeter à vontade de Brizola’’. ‘‘O PDT está rompendo o acordo que teve como avalista de Garotinho, e Brizola não pode querer tutelar o PT’’, referindo-se às últimas críticas de Brizola ao PT. O dirigente pedetista anunciou que o PDT iria se afastar do PT nas eleições desse ano, ao fazer um protesto contra o que chamou de intromissão em assuntos do partido.
‘‘Se a frente se dividir, vai ser muito ruim porque a oposição dividida vai proporcionar ao governo FHC a possibilidade de reabilitar a aliança para a disputa presidencial de 2002’’, lamentou Garotinho. Para seu colega do Acre, Jorge Viana, Lula está disposto a ser ‘‘engenheiro’’ na negociação do fim das brigas na frente.