Brasília - Senadores do PSDB, DEM, PDT, e PSB se uniram ontem numa espécie de ''frente'' suprapartidária para endurecer o tom dos discursos e cobrar conjuntamente o afastamento temporário de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. O movimento surgiu em resposta aos ataques de aliados de Sarney ao senador Pedro Simon (PMDB-RS) no plenário do Senado anteontem.
Os partidos prometem responder duramente aos ataques da tropa de choque de Sarney no plenário do Senado a partir desta tarde. Além disso, os senadores estudam divulgar uma nota com o pedido para que Sarney deixe o cargo temporariamente caso o Conselho de Ética arquive as denúncias contra o presidente da Casa sumariamente.
''É uma grande frente pela dignidade do Senado, que fica insustentável se o Sarney permanecer na presidência'', disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM).
O grupo anti-Sarney prometeu subir o tom dos discursos depois dos ataques dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor (PTB-AL) a Simon. O ex-presidente da República pediu que Simon ''engula'' suas palavras quando for se dirigir a ele, enquanto Renan acusou o peemedebista de ter posturas distintas nos bastidores e publicamente sobre Sarney.
''Se eles tiverem munição, têm que apresentar. Não ficaremos intimidados com nenhuma das ameaças. Isso é incompatível com a prática legislativa'', disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES).
O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmou que a disposição do grupo é insistir no afastamento temporário de Sarney.
Guerra disse que o grupo não vai aceitar ''ameaças'' dos aliados de Sarney. ''Não ameaçamos ninguém nem aceitamos ameaças. Troca de acusações, dossiês, isso não é conversa de democrata, mas de golpista. Neste momento, a pior atitude é a tropa de choque e a chantagem'', disse o tucano.

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