O futuro ministro extraordinário da Reforma Institucional, Freitas Neto, disse que o governo vai fazer um esforço até junho para tentar concluir a votação das reformas no Congresso. A declaração foi dada depois de uma conversa de uma hora com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada.
A intenção do governo, explicou, é de que, mesmo durante o período das eleições, haja dias determinados nos quais se faça esforço concentrado. ‘‘O Brasil não pode parar porque está em ano eleitoral’’, comentou o ministro, acentuando que o País tem eleições de dois em dois anos. A posse dos novos ministros, de acordo com o que informou, está marcada para terça-feira e será feita a portas fechadas, no Planalto.
Freitas Neto disse que ‘‘o Congresso tem trabalhado como nunca trabalhou e até junho vai cumprir todas as suas tarefas’’. Mas observou que todos têm de ser realistas e que, em agosto e setembro, o funcionamento do Congresso será ‘‘atípico’’. ‘‘Nesse período, o presidente vai determinar os dias da semana em que será feito esforço concentrado’’, declarou Freitas Neto, acentuando que, depois de outubro, o trabalho volta ao normal.
O novo ministro garantiu que o presidente não está fazendo as reformas para ele, mas para o País. Por isso, Freitas Neto recusa a denominação de ministério da reeleição. Segundo o ministro, o presidente quer que, até agosto, sejam promovidas conversas com partidos para criar um clima de votação das reformas. ‘‘A orientação do presidente é para começar a discutir porque todos sabem que não é só mandar uma reforma para o Congresso e ela ser aprovada no dia seguinte. Não se pode deixar a bola cair’’, afirmou ele, acrescentando que tem de se criar o ambiente para as votações.
Freitas Neto declarou que o novo ministério não vai tratar de política-partidária, mas de uma política para o País. Disse ainda que o gabinete será no Planalto e a equipe - ‘‘muito enxuta’’ - composta por técnicos e políticos.
Apesar do interesse demonstrado por Freitas Neto em fortalecer as funções do ministério, a nova pasta foi criada em meio a controvérsia. Para vários parlamentares, ela não terá função prática e acabou sendo apelidada de Mirin (a abreviatura da sigla formada pelas iniciais do ministério). De qualquer jeito, a bancada do PFL do Piauí comemorou a nomeação de Freitas Neto com um jantar na casa do senador Hugo Napoleão (PFL-PI), líder político do grupo.

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