Brasília - Responsável pelo lançamento da candidatura presidencial de Ciro Gomes, o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), é quem, atualmente, menos opina na campanha do candidato. O isolamento foi proporcional ao crescimento do presidenciável nas pesquisas e ao distanciamento do candidato do projeto de unir forças da centro-esquerda, como Freire imaginava. O senador pernambucano tem sido alijado das reuniões e decisões da Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT), onde quem anda dando as cartas são o deputado José Carlos Martinez (PTB-PR) e Leonel Brizola (PDT).
Freire tem ainda de suportar, sem os resmungos de antes, a presença cada vez maior do PFL na campanha de Ciro, representado pelo presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), e pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Nos próximos dias, por exemplo, é ACM, e não Freire, quem vai acompanhar Ciro Gomes numa peregrinação à cata de votos no Nordeste. Os dois nunca se entenderam no Senado.
Mais de uma vez, Roberto Freire apontou ACM como um exemplo da desmoralização da vida pública no País. O senador, por sua vez, dizia que o presidente do PPS só queria aparecer às suas custas. Atualmente, em campanha para voltar ao Senado, ACM é categórico ao dizer que ''o PFL é que vai respaldar Ciro no Congresso''.
Freire está tão isolado que nem foi consultado sobre a iniciativa de se buscar o apoio de setores PPB, assediando o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin. É ainda à revelia dele, que o presidente do PTB, José Carlos Martinez, e o líder do partido na Câmara, Roberto Jefferson (RJ) tentam aparar as arestas com o presidente Fernando Henrique Cardoso para um eventual segundo turno das eleições entre Ciro e o petista Luiz Inácio Lula da Silva. ''Se a campanha se mantiver em alto nível, poderemos ter um futuro juntos'', prevê Martinez. Jefferson chama o entendimento de ''pacto da não-agressão''.
O PPS depende ainda dos seus dois partidos da Frente Trabalhista quando o assunto é dinheiro. O financiamento da campanha de Ciro é uma responsabilidade dos dirigentes do PTB especialmente, principal encarregado de custear os deslocamentos de Ciro Gomes pelo País. Em campanha no interior de Pernambuco, onde disputará uma vaga de deputado federal, Roberto Freire não foi localizado ontem para falar sobre sua situação na campanha. Sua assessoria rebate a tese de que ele está isolado. ''Roberto está dando prioridade à sua campanha'', informa um de seus auxiliares. ''Mas conversa com Ciro todos os dias, por telefone, e é quem resolve as questões políticas da campanha''.

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