O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, rejeitou ontem a sugestão do prefeito eleito do Rio, César Maia (PTB), feita durante o Seminário Estadual de Organização Política do PPS, que o partido deve avaliar a possibilidade de uma união com o PFL, em torno da candidatura de Ciro Gomes à Presidência. ‘‘Em política, é preciso ter coragem para dizer ‘‘esse apoio eu não quero’’, disse Freire.
Maia retrucou dizendo que o PPS ‘‘não tem um projeto de poder.’’ ‘‘Não sou do PPS, e sim do PTB. Será que o PFL é tão diferente assim do PTB? A candidatura de Ciro tem que ter amplitude para que ele chegue ao poder’’, afirmou o prefeito, ressaltando que Gomes é seu candidato a presidente ‘‘acima de qualquer coisa’’.
Sobre a corrida para o governo do Estado, Maia afirmou que terá uma ‘‘atitude pragmática’’ caso não seja possível construir junto com o PPS uma frente de oposição ao governador Anthony Garotinho (sem partido). ‘‘Não descarto a possibilidade de apoiar a candidatura de Jorge Bittar, pelo PT, de Jorge Roberto Silveira (prefeito reeleito de Niterói) pelo PDT, ou de uma candidatura própria do PPS. Mas torço para que cheguemos juntos a 2002, já que o PPS foi decisivo na minha vitória nas últimas eleições.’’
Maia também criticou a atitude de Garotinho de lançar a candidatura da primeira-dama, Rosângela Matheus, à Prefeitura de Duque de Caxias, em 2004. ‘‘Eu nem assumi e ele já lançou a esposa como candidata’’, disse o prefeito. ‘‘Este governo não busca a união. Pessoalmente, não tenho nada contra Garotinho. Mas seria melhor se ele tivesse a inteligência de César Maia.’’ Maia também fez outras a Garotinho. ‘‘Sem dúvida ele pode ser considerado um estadista do óbvio’’, disse, em referência à expressão cunhada pelo ex-governador Carlos Lacerda.

mockup