Freire promete lutar contra aliança entre oposição e ACM
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domingo, 18 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Brasília 
O presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), anunciou ontem que lutará, junto às forças de esquerda, para evitar que a oposição se alie na luta do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) contra o governo. Nem a nossa agenda e nem a nossa pauta de atuação será fixada pelo senhor Antônio Carlos Magalhães; se ele quiser levar sua luta à frente, que o faça com o seu partido e com os seus liderados, não com o PPS, afirmou.
O senador atribuiu a postura oposicionista de Magalhães ao ressentimento, o que o diferenciaria das oposições. Estou abrindo o debate, pois tenho o temor de que alguns setores, inclusive do PT, confundam o seu papel, como vimos naquela constrangedora sessão do Congresso em que ACM recebeu diversos elogios, reclamou Freire. Ele lembrou que alguns de seus colegas afirmaram ao microfone do Congresso que ACM havia desempenhado importante papel no processo de redemocratização. Ele teve papel decisivo foi na repressão, não na redemocratização.
O senador argumenta que a esquerda não deve se aliar a qualquer setor, fazendo oposição pela oposição. Já vi votarem até em malufista no Congresso, com o argumento de que o outro candidato era do governo, reclamou Freire. Ele também considerou equivocada a aliança dos partidos da esquerda com ACM para aprovar o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, que considera assistencialista, e para o aumento do salário mínimo, luta que classificou de demagógica.
O senador disse ainda que, embora a aliança entre o PMDB e o PSDB seja prejudicial ao PPS, que queria ter os peemedebistas como aliados, ela é benéfica para o Brasil, por ser melhor que a aliança anterior, entre o PSDB e o PFL. Essa reaproximação aponta para um caminho mais democrático, avalia.
O líder do bloco de oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), considerou improcedentes os temores de Freire. Ele está com paranóia indevida; a oposição sabe o que quer, e se o PFL quiser votar a favor da oposição em questões pontuais, ótimo, e espero que o PPS também vote, afirmou. O líder negou, no entanto, que se pense em fazer uma aliança preferencial com o PFL.
Dutra explicou, por exemplo, que o PT quer aprovar, na Câmara, a proposta de emenda constitucional que restringe a edição de medidas provisórias. E disse que espera o apoio tanto do PFL quanto do PSDB, já que os candidatos dos dois partidos à presidência da Casa defenderam a aprovação em suas plataformas eleitorais. Será que o PPS vai votar contra a PEC só por que o PFL vai votar a favor?.
O petista também rebateu a crítica sobre a aprovação do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. Segundo Dutra, o PPS na Câmara também aprovou a emenda constitucional que criou o Fundo. Ele (Freire) gosta sempre de ser o contra-ponto do PT, argumentou.


