Freire critica eterna esquerda do contra
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segunda-feira, 28 de abril de 1997
Sucursal de Curitiba 
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, criticou ontem em Curitiba, os partidos de esquerda. Conforme o senador, as lideranças não podem mais adotar posições maniqueístas e serem sempre do contra. Temos que aceitar as propostas que significam avanço, não importa quem as propõe, declarou.
O PPS é um partido de ideologia socialista e Freire tem se posionado, atualmente, a favor do governo federal. As poucas vezes em que o senador se coloca do outro lado do governo têm sido definidas como oposição light. Para ele, os partidos de esquerda estão perdendo a oportunidade de participar mais dos processos decisórios. Mas sempre com propostas e sugestões, emenda. O senador acusa os próprios companheiros agravarem o problema, quando impedem o governo FHC de agir.
A esquerda deixa a desejar quando não assume propostas formuladas pelos seus próprios militantes, reclama. O senador cita como exemplo a reforma previdenciária. Eu e o Eduardo Jorge, do PT, temos um modelo para a previdência que a esquerda, sempre do contra, nunca quis assumir, desabafa.
A única ressalva de boa atuação se dá com a reforma agrária, na opinião do senador. Essa participação no processo de discussões tem sido perfeita, diz. Apresentamos um plano de assentamento e os sem-terra nos deram lições importantes de que a mobilização e a união são fundamentais, define.
Candidatura própria Apesar de alinhado ao governo federal, Freire defendeu ontem o lançamento de uma candidatura alternativa à do presidente Fernando Henrique, em 98. Na democracia, é sempre bom ter concorrência, justifica. Mas ele descartou a possibilidade de formação de um novo partido - como alternativa às tradicionais frentes de esquerda - como vinha defendendo no ano passado. Esta discussão não é mais cabível porque não haverá limitação no número de partidos, como se esperava, justifica Freire. (L.D.)


