O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, criticou ontem em Curitiba, os partidos de esquerda. Conforme o senador, ‘‘as lideranças não podem mais adotar posições maniqueístas e serem sempre do contra’’. ‘‘Temos que aceitar as propostas que significam avanço, não importa quem as propõe’’, declarou.
O PPS é um partido de ideologia socialista e Freire tem se posionado, atualmente, a favor do governo federal. As poucas vezes em que o senador se coloca do outro lado do governo têm sido definidas como ‘‘oposição light’’. Para ele, os partidos de esquerda estão perdendo a oportunidade de participar mais dos processos decisórios. ‘‘Mas sempre com propostas e sugestões’’, emenda. O senador acusa os próprios companheiros ‘‘agravarem o problema’’, quando impedem o governo FHC de agir.
‘‘A esquerda deixa a desejar quando não assume propostas formuladas pelos seus próprios militantes’’, reclama. O senador cita como exemplo a reforma previdenciária. ‘‘Eu e o Eduardo Jorge, do PT, temos um modelo para a previdência que a esquerda, sempre do contra, nunca quis assumir’’, desabafa.
A única ressalva de boa atuação se dá com a reforma agrária, na opinião do senador. ‘‘Essa participação no processo de discussões tem sido perfeita’’, diz. ‘‘Apresentamos um plano de assentamento e os sem-terra nos deram lições importantes de que a mobilização e a união são fundamentais’’, define.
Candidatura própria Apesar de alinhado ao governo federal, Freire defendeu ontem o lançamento de uma candidatura alternativa à do presidente Fernando Henrique, em 98. ‘‘Na democracia, é sempre bom ter concorrência’’, justifica. Mas ele descartou a possibilidade de formação de um novo partido - como alternativa às tradicionais frentes de esquerda - como vinha defendendo no ano passado. ‘‘Esta discussão não é mais cabível porque não haverá limitação no número de partidos, como se esperava’’, justifica Freire. (L.D.)

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