Curitiba - O teólogo e escritor Frei Betto, que foi assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e coordenou a mobilização do programa Fome Zero, acredita que a segunda gestão Lula será tão ou mais conservadora que a primeira, porque agora o governo está ''refém'' do apoio do PMDB. Na opinião de Frei Betto, que deixou o governo federal em dezembro de 2004 por discordar dos rumos da política econômica, Lula não mudou a postura neoliberal que vigorava nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) por medo da elite brasileira. ''Mas espero um segundo mandato mais progressita. Espero que no segundo mandato ele (Lula) cumpra as promessas que fez em 2002'', emendou. Frei Betto destacou necessidade da reforma agrária, educação integral e investimentos em saúde.
O teólogo avalia de maneira positiva a atuação do governo federal na questão social, mas faz ressalvas. ''Ainda não se encontrou a porta de saída do Bolsa-Família'', apontou, acrescentando que as famílias vão precisar de uma fonte de renda. O Bolsa-Família integra o Fome Zero e é um dos carros-chefe dos programas do governo Lula. Sua função é de transferência direta de renda, repassando entre R$ 15,00 e R$ 95,00 para família com renda de até R$ 60,00 por pessoa ou entre R$ 60,00 e R$ 120,00 por pessoa. O valor fornecido depende da renda e do número de crianças na família.
O teólogo esteve em Curitiba ontem a convite do curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra e a Assembléia Popular de Curitiba. À tarde, o escritor concedeu uma entrevista à imprensa na PUC. À noite, ele participaria da conferência ''Uma outra democracia é possível''.
Frei Betto acredita que o momento é de pressionar pela reforma política, que abrange as reformas trabalhista e sindical. ''Mas não pode ser uma reforma cosmética'', destacou, explicando que as mudanças precisam ser profundas. Nessa linha de raciocínio, o escritor comparou o governo a ''feijão''. ''Governo é igual feijão. Só funciona em panela de pressão.''
Mas a pressão, segundo Frei Betto, não é necessariamente invasão como a que ocorreu com o Movimento de Libertação dos Sem-terra (MLST), no prédio da Câmara Federal. ''É diálogo. Só chega ao ponto da manifestação popular quando o governo se fecha para o diálogo'', disse. Frei Betto, que já morou em favela e assessorou os sem-terra, avalia que o movimento cumpre uma função social. ''Se não fosse o MST, a reforma agrária não estaria na pauta do País'', comentou.

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