O esquema de fraudes na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), extinta na semana passada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, não se resumia à região Norte e pode ter uma ramificação em São Paulo. A Polícia Federal (PF) já suspeitava de escritórios de assessoria paulistas, que ajudavam na liberação de recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam). Mas a divulgação de escutas telefônicas, feitas no ano passado pela própria PF, revelou que o esquema não pára por ai.
Uma conversa entre Geraldo Pinto da Silva, dono de um escritório de assessoria em Belém, e uma pessoa identificada por Sebastião, revela que havia em São Paulo uma pessoa que também se beneficiava de dinheiro da Sudam. ‘‘Eu tenho que pagar o cara lá em São Paulo (...) O negócio foi feito assim: me cobrou R$ 300 mil, R$ 15 mil e R$ 285 mil quando liberar a Sudam e, dos R$ 15 mil eu combinei de mandar R$ 8 mil hoje e R$ 7 mil a dez dias. Eu tenho que passar esses R$ 8 mil para ele, senão a gente já começa sem moral, no final deu certo’’, diz Geraldo a seu interlocutor.
Em uma outra conversa, Geraldo Pinto da Silva parece se referir ao mesmo assunto, mas desta vez fala com Romildo Onofre Soares – aliado político do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) em Altamira (PA). ‘‘O pessoal está me apertando porque tu ficou de me ligar naquele dia de volta e não ligou’’, afirmou Geraldo, referindo-se ao ‘‘negócio lá de São Paulo’’. Romildo responde que ‘‘o rapaz estava querendo R$ 50 mil’’ e pergunta o que fazer. ‘‘Então, não vai ter jeito, eu vou desistir do negócio’’, responde Geraldo. Romildo é considerado o líder dos irmãos Soares, que tem negócios – muitos financiados com recursos da Sudam – em Tocantins, Pará e Amapá.

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