Fraudes na Sudam chegam a São Paulo
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sábado, 05 de maio de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
O esquema de fraudes na Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), extinta na semana passada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, não se resumia à região Norte e pode ter uma ramificação em São Paulo. A Polícia Federal (PF) já suspeitava de escritórios de assessoria paulistas, que ajudavam na liberação de recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam). Mas a divulgação de escutas telefônicas, feitas no ano passado pela própria PF, revelou que o esquema não pára por ai.
Uma conversa entre Geraldo Pinto da Silva, dono de um escritório de assessoria em Belém, e uma pessoa identificada por Sebastião, revela que havia em São Paulo uma pessoa que também se beneficiava de dinheiro da Sudam. Eu tenho que pagar o cara lá em São Paulo (...) O negócio foi feito assim: me cobrou R$ 300 mil, R$ 15 mil e R$ 285 mil quando liberar a Sudam e, dos R$ 15 mil eu combinei de mandar R$ 8 mil hoje e R$ 7 mil a dez dias. Eu tenho que passar esses R$ 8 mil para ele, senão a gente já começa sem moral, no final deu certo, diz Geraldo a seu interlocutor.
Em uma outra conversa, Geraldo Pinto da Silva parece se referir ao mesmo assunto, mas desta vez fala com Romildo Onofre Soares aliado político do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) em Altamira (PA). O pessoal está me apertando porque tu ficou de me ligar naquele dia de volta e não ligou, afirmou Geraldo, referindo-se ao negócio lá de São Paulo. Romildo responde que o rapaz estava querendo R$ 50 mil e pergunta o que fazer. Então, não vai ter jeito, eu vou desistir do negócio, responde Geraldo. Romildo é considerado o líder dos irmãos Soares, que tem negócios muitos financiados com recursos da Sudam em Tocantins, Pará e Amapá.


