O valor das fraudes descobertas na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) aumentou em mais de 50%, depois de uma semana de investigações feitas pelo interventor nomeado pelo Ministério da Integração Nacional. O novo superintendente, José Diogo Cyrillo, está mandando cobrar mais de R$ 50 milhões dos empresários que tiveram seus projetos cancelados pela Sudam entre 1994 e 2000, mas que nunca foram acionados pela procuradoria do órgão. Com isso, o prejuízo aos cofres públicos causado pelo esquema de corrupção na Sudam sobe dos R$ 108,6 milhões, identificados pelo governo em 29 projetos fraudados, para R$ 158,6 milhões, no mínimo.
De acordo com o novo superintendente, o Conselho Deliberativo da Sudam (Condel) cancelou 213 projetos nos últimos sete anos. Desse total, 71 ficaram sem dinheiro porque haviam sido comprovadamente fraudados. Sempre que um investimento é cancelado pelo Condel, a legislação obriga que o órgão busque a devolução do dinheiro público primeiro administrativamente e depois na Justiça. Os R$ 50 milhões que deveriam ter sido cobrados não incluem juros ou multas que ainda precisam ser calculados, o que pode dobrar esse rombo.
O esquema montado na Sudam, entretanto, fez com que esses projetos ficassem guardados no fundo da gaveta e, segundo Cyrillo, não houve sequer tentativa de cobranças administrativas. Desde 1995, o cargo de superintendente da Sudam vem sendo preenchido por indicação do presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB).
A justificativa apresentada pela Sudam para protelar a cobrança é de natureza jurídica. Segundo o novo superintendente, havia uma discussão sobre o indexador que deveria ser usado para atualizar o valor do ressarcimento e a procuradoria também patinava na controvérsia sobre a possibilidade de a nova legislação de incentivos fiscais, de 1998, ser aplicada a projetos aprovados em data posterior.

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