Fraudes atingem 6 mil cartões do Fome Zero
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília- Com 6,5 milhões de famílias e um total de 27 milhões de pessoas, o cadastro único do governo federal é apontado pelo Ministério de Segurança Alimentar (Mesa) como o responsável por equívocos no processo de seleção de beneficiários do programa Fome Zero. O próprio ministério admite ter pago indevidamente em abril benefícios do cartão-alimentação a famílias em situação irregular no Rio Grande do Norte. A lista única foi criada na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e serve de base de dados para quase todos os programas de transferência de renda do governo. Mas, como tem repetido o ministro José Graziano (Segurança Alimentar), apresenta inúmeros problemas, pois foi preparada pelas prefeituras e contém nomes incluídos ''por favorecimento, parentesco e oportunismo''.
Ciente das falhas do cadastro único, o ministério treina comitês gestores nos municípios onde é distribuído o cartão-alimentação, que repassa R$ 50,00 por mês a famílias pobres. Cabe a esses comitês fazerem a triagem da lista, excluindo quem apresenta condições sócio-econômicas melhores do que as exigidas para ter direito ao repasse de R$ 50,00.
O cartão-alimentação já atende 36 mil famílias em 87 municípios do semi-árido. Da lista de potenciais beneficiários do Fome Zero, o pente-fino dos comitês excluiu 6 mil nomes que faziam parte do cadastro único, apesar de não estarem entre os mais pobres dos respectivos municípios.
A definição do que é pobreza é motivo de debate no governo e entre especialistas.


