O chamado escândalo AMA-Comurb começou a ser investigado pelo Ministério Público (MP) no dia 19 de fevereiro do ano passado. O que motivou as primeiras investigações foi um pedido da vereadora Elza Correia (PMDB), que recebeu denúncias de irregularidades na terceirização dos serviços de capina e roçagem na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA).
Uma análise das planilhas mostrou que havia superfaturamento nos serviços de capina e roçagem executados pela Tâmara Serviços Técnicos, empresa ligada à Principal Vigilância, que também prestava serviços ao município. A investigação foi estendida à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) depois que o MP descobriu que essas empresas também mantinham contratos com a companhia.
As investigações iniciais começaram com o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, e ganharam reforço do promotor de Investigações Criminais (PIC), Cláudio Esteves. Em agosto, após receber informações de que os contratos estavam sendo manipulados na tentativa de acobertar as fraudes, os promotores fizeram uma devassa na Comurb e apreenderam documentos referentes a mais de 100 contratos suspeitos. A autorização judicial para a apreensão dos documentos na Comurb foi dada pelo juiz da 6ª Vara Cível, Celso Saito.
A apuração também ganhou reforço da promotora da 3ª Vara Cível, Solange Vicentin, designada exclusivamente para o caso. O trabalho dos três promotores têm apoio das entidades de classe que, no ano passado, se juntaram para formar o Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina. Entre as entidades que integram o movimento estão a Associação Comercial e industrial de Londrina (Acil), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Comunitário de Segurança, igrejas católica e evangélicas, além da maçonaria.
As entidades cobram punição dos envolvidos no escândalo, considerado o maior esquema de corrupção da história de Londrina. Até agora, documentos, depoimentos e outras provas anexadas aos autos envolvem 200 contratos que teriam sido fraudados. O MP já conseguiu comprovar o desvio de pelo menos R$ 16 milhões dos cofres públicos. Mas um dos principais envolvidos no esquema, o ex-diretor-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, estima o rombo em R$ 100 milhões.
A promotoria reúne 50 mil páginas de investigação, que se desmembraram em dezenas de procedimentos administrativos e 13 inquéritos civis públicos abertos em 99 e neste ano. A Polícia Civil também investiga o caso e instaurou 13 inquéritos que estão em andamento no 6º Distrito Policial. Há ainda uma investigação da Polícia Federal.
A meta do MP é garantir a devolução do dinheiro desviado dos cofres públicos. Para isso, conseguiu a quebra do sigilo bancário de 150 contas e está fazendo um rastreamento bancário em vários pontos do País e até no exterior. A empresa Realty Investimentos e Participações Ltda, de São Bernardo do Campo (SP), está na mira da promotoria por denúncia de lavagem de dinheiro. A empresa tem acionistas no Uruguai.
O empresário Luiz José de Oliveira Kesikowski confessou, em depoimento ao MP, ter realizado, em maio do ano passado, transferência de R$ 1,1 milhão para a Realty. Kesikowski disse ainda que os recursos saíram dos cofres da Prefeitura de Londrina.
A promotoria já conseguiu apurar que parte do dinheiro desviado da prefeitura foi usada para pagamento de campanha eleitoral. As campanhas para deputado federal de José Janene (PPB) e de Alex Canziani (PSDB) e para deputado estadual de Antônio Carlos Belinati (PSB), filho do prefeito, teriam sido beneficiadas. Há três inquéritos civis no MP apurando as denúncias.
Os depoimentos de várias testemunhas ouvidas pela promotoria apontam que os valores eram desviados dos cofres públicos por determinação do ex-diretor-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso. Este, por sua vez, alegou que cumpria ordens dos secretários de governo Gino Azzolini Neto e posteriormente de Wilson Mandelli, a mando do prefeito.

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