Fraude em caixões chega a R$ 30 mil em Prudentópolis
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sexta-feira, 21 de julho de 2006
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba O desvio de verbas públicas da prefeitura de Prudentópolis (64 km a leste de Guarapuava) para compra irregular de urnas funerárias chega a aproximadamente R$ 30 mil. A informação é do promotor de justiça Rodrigo Leite Ferreira Cabral, que apresentou denúncia contra sete pessoas, sendo dois secretários municipais e cinco empresários daquela cidade. Eles estão sendo acusados de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. O secretário de Administração da prefeitura de Prudentópolis, Vilmar Salante, e o empresário Ademir de Souza estão presos desde quinta-feira.
O promotor Rodrigo Cabral lembra que os R$ 30 mil são referentes a 20 fatos narrados na ação, em que era simulada a compra de urnas funerárias com dinheiro do município junto a uma empresa que existe apenas no papel. Segundo o delegado Ricardo de Miranda Monteiro, que conduziu as investigações, a ''funerária fantasma'', a Guamiranga Ltda, está em nome da mulher e da filha de Ademir de Souza. O delegado lembra que mesmo sem ter endereço, a funerária vendeu de abril a setembro do ano passado à prefeitura um total de R$ 9.170,00.
Outra funerária de Ademir de Souza, a Anjo Gabriel (de fato estabelecida em Prudentópolis) vendeu ao município 62 urnas de janeiro de 2005 a fevereiro de 2006, conta o delegado. Durante as investigações, Ricardo Monteiro descobriu compras de urnas em duplicidade (a mesma pessoa recebeu dois caixões) e outras irregularidades. Há registro de compras de caixões para 15 pessoas, mas a polícia não encontrou a certidão de óbito delas. Há também a compra de uma urna superluxo no valor de R$ 3.139,00 para um cidadão carente. ''Mas ninguém sabe quem é essa pessoa carente'', comenta o delegado. Ainda conforme Monteiro, as ordens de pagamento desses objetos foram assinadas pelo secretário Vilmar Salante (na época, titular da pasta de Finanças).
A Folha tentou contato, pelo telefone, com o prefeito de Prudentópolis, Vilson Santini (PMDB), mas ele estava viajando. O advogado da prefeitura também não estava para comentar a ação oferecida pelo Ministério Público.


