Fraude deixa rombo de R$ 1 milhão
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um esquema de empréstimos em nome de supostos funcionários da Prefeitura de Itaperuçu, município da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), deixou um rombo da ordem de R$ 1 milhão aos cofres da instituição financeira Paraná Banco. De acordo com a polícia, houve empréstimos feitos por falsos funcionários da prefeitura, com contracheques falsos e documentos de pessoas humildes, no valor máximo de R$ 13 mil, que nunca foram pagos.
Um convênio firmado entre a instituição e o município permitia empréstimos exclusivos com pagamento em desconto em folha para servidores.
Durante a ação, 58 pessoas foram detidas em Itaperuçu e municípios próximos, suspeitas de participação na fraude. Entre os detidos estaria o filho do prefeito reeleito José de Castro França, suspeito de ser um dos articuladores do esquema, segundo o delegado do Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce), Robson Barreto.
O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, afirmou que todos os empréstimos foram realizados entre agosto e setembro deste ano. ''É uma constatação. Os empréstimos foram feitos em período eleitoral'', afirmou Delazari. Barreto, responsável pelo caso, explicou que a polícia ainda vai investigar qual o destino do dinheiro emprestado.
A investigação foi iniciada há um mês. De acordo com a polícia, o Paraná Banco teria firmado o convênio por meio da empresa Century Investimentos Ltda. para fazer os empréstimos. O benefício era adquirido mediante apresentação de uma fotocópia do contracheque para provar o vínculo empregatício, além de documentos como RG e CPF. Para a polícia, seria nas falsificações que entraria o trabalho dos funcionários do RH da prefeitura, que também concederiam uma autorização para os empréstimos.
Foram expedidos 88 mandados de prisão temporária e de busca e apreensão e 30 pessoas ainda eram procuradas até o final da tarde de ontem. A polícia investigará o envolvimento de funcionários da Century, intermediária do convênio. O delegado acredita que oito pessoas formem a base de articulação do esquema. Seis deles trabalhariam na prefeitura e os outros dois podem ser empregados da Century.
Toda investigação correrá em segredo de Justiça, decretada pelo juiz Carlos Alberto Costa Ritzmann, de Rio Branco do Sul (RMC), com o objetivo de preservar a imagem e a intimidade das pessoas envolvidas.
O advogado Álvaro Augusto Cassetari esteve presente no 1º Distrito Policial (DP) para representar a prefeitura de Itaperuçu. Ele informou que a prefeitura foi uma das denunciantes, ao lado do Paraná Banco, e ainda não há nada de concreto sobre envolvimento de funcionários públicos no esquema.
''Todos que foram levados para a delegacia foram para ser ouvidos ainda'', afirmou. Em relação aos empréstimos terem acontecido no período eleitoral, o advogado acredita em coincidência apenas. O representante preferiu não se manifestar sobre a prisão do filho do prefeito.
''Não vamos nos pronunciar sobre isso. Mas ainda não se sabe a extensão do envolvimento das pessoas no caso. As prisões ocorreram para assegurar a investigação. A questão existe, mas se sabe que pessoas querem usar politicamente para atingir o prefeito'', respondeu Cassetari.
Os detidos estão no 1º DP e seriam levados para o Centro de Triagem 2, em Piraquara (RMC) e para o Centro de Operações Policiais (Cope). O prefeito e seu filho já foram presos ano passado por suspeita de desviar recursos municipais. A maioria dos presos não trabalha na Prefeitura de Itaperuçu, segundo a polícia. A FOLHA não conseguiu localizar a defesa da Century.


