RIO - A reforma administrativa só mudará efetivamente o serviço público no Brasil se conseguir cortar privilégios. Sem isso, não haverá mudanças, sustenta o deputado federal Moreira Franco (PMDB/RJ).
Autor do substitutivo ao projeto do governo, ele confia na aprovação da reforma ‘‘com uma votação até maior do que a emenda da reeleição’’ e alerta que as maiores resistências virão da cúpula da administração pública, insafisfeita com a fixação de um teto para os salários do funcionalismo equivalente aos vencimentos de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
AP6>A aprovação deste teto, segundo Moreira, é essencial para que a reforma implique em quebra de privilégios. O deputado lamentou que, ao se aproximar a votação, o ministro da Administração, Bresser Pereira, tenha sugerido a criação de um salário extra-teto para garantir a remuneração de deputados e integrantes da magistratura que ganham acima de ministro do STF. ‘‘Moralmente, essa sugestão é indefensável’’, critica o parlamentar. Ele alerta que, se essa possibilidade for levada à plenário, pode desmoralizar todo o resto da reforma.
Ex-prefeito de Niterói e ex-governador do Rio, Moreira Franco empenha-se na aprovação da reforma administrativa por considerar o cotidiano do cidadão nas repartições públicas ‘‘um inferno’’. Em entrevista ao Estado, ele afirma que vai enfrentar as resistências com ‘‘tolerância e firmeza’’ para aprovar a mais ampla mudança já realizada da administração pública brasileira.

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