Franchello justifica compra de cafeteiras e critica MP
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sábado, 01 de dezembro de 2001
Lino Ramos<br>De Londrina 
O ex-vice-prefeito de Londrina Carlos Antonio Franchello procurou justificar ontem a compra de quatro cafeteiras para presentear servidores. A aquisição dos eletrodomésticos, em 1992, foi efetuada com recursos públicos e resultou, na semana passada, na primeira condenação por improbidade administrativa confirmada pelo Tribunal de Justiça (TJ).
Segundo Franchello, a compra ocorreu durante uma viagem do ex-prefeito Antonio Belinati (PL). ''Até briguei com o tesoureiro da Codel por comprar um lixo de cafeteira; era um presente humilhante porque eram funcionários antigos'', afirmou. O ex-prefeito apresentou à reportagem cópias das provisões de quitação de suas contas como presidente da Codel, emitidas pelo Tribunal de Contas (TC). ''O tribunal considerou minha gestão boa e legal, será que é meu comparsa por dar quitação às minhas contas?''
Segundo o ex-vice-prefeito, Belinati (assim como outros prefeitos) sempre comprou presentes para visitantes de Londrina e nunca foi questionado. Franchello também criticou a demora no andamento dos processos sobre o desvio de recursos públicos na Prefeitura de Londrina no caso que ficou conhecido como Escândalo AMA-Comurb. ''A gente estranha que a promotoria não consiga receber os mais de R$ 200 milhões e vem atrás de 200 cruzeiros antigos. Se a promotora quiser eu compro quatro cafeteiras e levo pra ela'', ironizou.
Franchello foi condenado a devolver os recursos (R$ 2,2 mil atualizados) e perdeu seus direitos seus direitos políticos por cinco anos. Ele também está proibido de contratar com o serviço público pelo mesmo período. O ex-vice-prefeito ainda está recorrendo ao Tribunal de Justiça (TJ) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A promotora da 3 Vara Cível, Solange Vicentin, disse que os promotores agem em nome do MP e da sociedade. ''Ele não deve comprar cafeteiras pra mim e sim devolver os recursos aos cofres públicos, que foi dilapidado'', afirmou Solange Vicentin.
Segundo a promotora, a esperança do Ministério Público é que todos os responsáveis pelos desvio de recursos públicos sejam condenados a devolver o dinheiro. ''Assim como ele (Franchello) foi. A diferença é que o processo dele é mais antigo, estamos fazendo isso com todos que dilapidaram o patrimônio público.''


