Paris: Os pedidos para que os franceses votem no neogaullista Jacques Chirac continuavam ontem, véspera do segundo turno das primeiras eleições presidenciais do país que têm um candidato de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, na disputa pelo Palácio Eliseu.
Vários jornais franceses pediam abertamente em suas primeiras páginas de ontem que seus leitores votem em Chirac, enquanto o Conselho Constitucional e o Conselho Superior Audiovisual (CSA) lembram aos eleitores e aos meios de comunicação as regras básicas que devem ser respeitadas nas eleições de hoje.
Trata-se de um confronto único na história da V República, que, para muitos, transformou-se num referendo sobre a vigência dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.
Chirac larga como favorito e pode sair da votação como o chefe de Estado com maior apoio desde a instauração das eleições presidenciais.
Primeiro-ministroAmanhã próxima segunda-feira, o primeiro-ministro, o socialista Lionel Jospin, irá ao Palácio Elíseo para apresentar sua renúncia ao chefe de Estado eleito. O senador e representante da Democracia Liberal, Jean-Pierre Raffarin, e o prefeito de Neuilly, o neogaullista Nicolas Sarkozy, estão entre os favoritos para suceder Jospin, com uma ligeira vantagem para o primeiro, que preside o Conselho regional de Poitou-Charentes (sudoeste).
A eliminação de Jospin e o triunfo de Le Pen provocaram um enorme ‘‘terremoto’’ na França, causando tremores em toda a sociedade, cuja mobilização culminou nas históricas manifestações contra o líder ultradireitista em todo o país no dia 1º de Maio.
O importante, insistem os políticos, é que essa enorme maré humana contra Le Pen se traduza hoje em votos para Chirac, que terminou sua campanha eleitoral tentando seduzir os jovens. O presidente-candidato elogiou com um ‘‘bravo’’ os adolescentes que foram às ruas dia após dia, desde 21 de abril, para protestar contra o racismo, a xenofobia e o ódio que, para eles, o líder ultradireitista representa.
Enquanto isso, Le Pen levantava de novo as suspeitas de um suposto complô contra ele, ao denunciar que está sendo preparada uma ‘‘gigante fraude eleitoral’’, já que, segundo diz, suas cédulas eleitorais são mais escuras que as de Chirac.

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