'Frágil e mal formulada', analisa professor da FGV
O professor Paulo Nogueira Batista, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), um dos defensores da moratória brasileira de 87, não endossa a iniciativa da CNBB. Embora veja como positiva a discussão sobre as dívidas externa e interna, ele não considera cabível pensar em moratória agora. Não teria cabimento o Brasil decretar uma moratória. O País não vive uma situação financeira externa de emergência. Muito pelo contrário, afirmou Nogueira.
A formulação das perguntas está malfeita, induzindo a respostas contra a continuidade do pagamento, mas levanta um problema real, de acordo com Nogueira, que é o aumento das dívidas externa e interna ao longo do governo FHC. Além disso, a consulta coloca no mesmo saco a discussão sobre as dívidas externa e interna. São coisas diferentes do ponto de vista do interesse nacional, disse. A dívida interna não é apenas com bancos e especuladores, mas também com parte da classe média que tem ativos bancários.
O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos das Empresas Transnacionais, Antônio Corrêa de Lacerda, teme que a iniciativa da consulta possa gerar efeitos negativos. Pode ser um tiro no pé, afirmou, temendo a alta dos juros cobrados do Brasil. Segundo ele, os organizadores do plebiscito precisam divulgar ao potencial eleitor sobre a dimensão do custo. A sociedade precisa saber o que isso representa ao País, disse. Um calote da dívida interna implicaria, por exemplo, no bloqueio das operações financeiras.





