Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu reunir 64 dos 76 deputados do PMDB no almoço oferecido ontem pelo ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, mas não ganhou nenhum voto novo em favor da manutenção da parceria com o governo e da criação de uma aliança nacional em 2006. Lula não conseguiu dissuadir os pemedebistas da idéia de manter a convenção nacional convocada para decidir, no dia 12, se o partido deve ou não romper com o governo.
Apesar desses problemas, o Planalto avalia que poderá dobrar essa resistência e conseguir a maioria dos votos dentro do partido a favor da permanência na base do governo. ''As bancadas do PMDB já tomaram a decisão de continuar apoiando o Brasil e o presidente Lula'', afirma Oliveira.
Não é bem assim. Ontem, porém, bastou o líder na Câmara, José Borba (PR), lembrar que o PMDB votara com o Executivo em 75 das 77 votações nominais ocorridas em 2003, mesmo sem ter cargos no governo, para o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), pegar o mote em defesa da tese oposta à do Palácio do Planalto: a de que a independência do PMDB, fora do governo, não compromete a governabilidade da administração Lula.
''O almoço não era para mudar votos. Era um almoço de confraternização'', disfarçou o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), ao fim do encontro. Mais direto, um expoente da ala governista queixou-se de que o roteiro da reunião saiu do script ideal para seu grupo e para o próprio Planalto por duas razões: foi mais um convescote do que uma reunião política e Temer ainda roubou a cena.

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