Fracassa reunião entre Lerner e Maluf
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaDando um tempoJosé Janene: conversas sobre possíveis coligações só no ano que vemO jantar do governador Jaime Lerner (PFL) com o presidente nacional do PPB, ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, em Brasília, na noite da última terça-feira, não foi suficiente para pôr um ponto final na indecisão da sigla que, no Paraná, reluta em antecipar o acordo com o chapão PTB-PFL em torno da disputa estadual. A avaliação é do presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene.
Janene coordenou ontem pela manhã reunião da bancada federal do partido com Paulo Maluf. Segundo Janene, a conversa de 1h20 entre o governador, Maluf e o chefe da Casa Civil, Rafael Greca foi apenas de cortesia e que ainda não é o melhor momento para o PPB tratar das possíveis coligações para o ano que vem.
O Maluf foi muito cordial. Como um padre que celebra o casamento e sabe que quem define tudo é a noiva (o PPB do Paraná), comparou Janene. O deputado confessa que a ida de Lerner a Brasília - sem prévia consulta da cúpula pepebista - trouxe constrangimentos. Sempre tivemos um diálogo aberto. Quem nos quer não pode ficar apostando na desunião, disse.
No relato feito por Maluf ontem aos deputados federais, segundo informações que chegaram à imprensa, o ex-prefeito de São Paulo disse que Lerner teria revelado sua decisão de manter Emília Belinati (PTB) como vice da chapa para as eleições de 98. Isto, para os deputados, foi interpretado como manifestação de Lerner de abrir para o PPB espaço para a escolha do candidato ao Senado.
Essa manifestação traz inquietação para os aliados. Emília quer o Senado e sinaliza que está disposta a disputar a indicação com Rafael Greca e com o ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL). O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), voltou a defender a pré-candidatura de Emília ao Senado.
A bancada do PPB aproveitou a reunião com o presidente nacional para lembrar que o partido no Estado pode lançar candidato próprio. O virtual candidato ao governo, deputado federal Ricardo Barros, confirmou as observações de Janene e declarou que o ex-prefeito Paulo Maluf deu uma aula de política para Lerner, ao reforçar a tese de que a costura de alianças nos Estados fica sob a responsabilidade dos diretórios.
A Folha tentou contato com Maluf e com Lerner para detalhar a conversa de terça-feira. Até o início da noite, o governador ainda não havia retornado de Brasília. A assessoria de Maluf informou que o ex-prefeito viajou para o interior de São Paulo e que não é costume do ex-prefeito divulgar o teor de reuniões reservadas.
O interesse de Lerner em manter Emília como vice não foi bem recebida em Londrina. O governador havia prometido a Emília que ela poderia optar pela candidatura a vice ou ao Senado, estranhou o presidente do diretório municipal do PTB e vice-prefeito Alex Canziani. Segundo ele, o projeto do diretório e do prefeito Antonio Belinati (PDT), marido da vice-governadora, é fazer de Emília a primeira senadora do Estado. Não está nos nossos planos repetir a candidatura de Emília a vice, e as pesquisas apontam um crescimento do nome dela para o Senado, disse Canziani. E o governador não vai querer ir contra o desejo da população, provocou. (Colaborou Patrícia Zanin, de Londrina)


