Fracassa esforço de votação na Câmara
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Folhapress 
Brasília - Fracassou ontem a tentativa do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), de avançar nas votações das 15 medidas provisórias que repousam intocadas na Casa há mais de 45 dias. João Paulo ameaçou os deputados faltosos com corte no salário, fez várias chamadas pelos alto-falantes do plenário, mas não teve jeito, o quórum insuficiente derrubou a sessão.
''Continuo fazendo a minha parte, o meu trabalho. Ou seja, convoco a sessão, presido a sessão e conduzo as votações, quem não vier à sessão convocada terá o seu dia descontado'', afirmou após a tentativa frustrada.
Registraram presença ontem no plenário 250 deputados até as 17h, momento em que a sessão caiu. Eram necessários mais sete presenças para atingir o quórum mínimo de 257 dos 513 deputados. O desconto no salário é proporcional ao número de faltas no mês e incide sobre R$ 8.029 do salário de R$ 12.847 dos deputados.
A tentativa de se ver livre das MPs tem com um dos objetivos permitir a votação da emenda que permitiria a reeleição de João Paulo e de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, cujos mandatos no comando do Congresso terminam em fevereiro. As MPs estão com prazo de tramitação vencido e, por isso, impedem outras votações enquanto não forem apreciadas.
Devido a isso, os contrários à emenda da reeleição usam a dificuldade causada pelas MPs para enfraquecer a articulação pela aprovação da emenda. Os governistas PMDB e PPS, além da oposição, continuaram ontem o processo de ''obstrução'', que inclui, entre outras coisas, o não-registro de presença no plenário com o objetivo de derrubar a sessão.
O ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política) encontrou-se ontem com João Paulo para reafirmar o apoio do governo à intenção de João Paulo de manter a tese da reeleição viva. O objetivo dos dois foi procurar formas de contornar as várias insatisfações de aliados contra o governo, o que possibilitaria quórum suficiente para que a Câmara funcione. João Paulo confirmou que tentará na próxima semana realizar novas votações.


