Nem imposto, nem taxa, tampouco repasse dos governos estadual ou federal. Foz do Iguaçu arranjou um jeito diferente para engordar os cofres públicos. A prefeitura vai leiloar 638 veículos apreendidos pela Receita Federal durante o combate ao contrabando nos últimos anos e que agora foram classificados para não mais rodar pelas ruas e avenidas. A cidade tem orçamento de R$ 333 milhões para 2007.
  São carros, motocicletas, vans e kombis (de fabricação nacional e estrangeira) – parte deles em mau estado de conservação. Nenhum ônibus será levado à venda pública. O lote tem valor estimado em R$ 2.295.940 no mercado automobilístico. A arrecadação da prefeitura deve superar essa cifra, embora os automóveis tenham passado à condição de ‘‘bens inservíveis’’.
  Um modelo nessa situação fica sem chassis e placas, além de ter o cadastro baixado no Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores). Ele pode ser usado somente para desmonte e reaproveitamento comercial das peças, em outras palavras, serve como ferro-velho.
  O leilão deve acontecer no fim de março. Por enquanto, os veículos estão sendo incorporados ao patrimônio público, para depois a data do evento ser publicada em edital. Lá na frente, efetuada a venda, o comprador passa a ser responsável pelo destino das sucatas, respondendo civil e criminalmente, pelo seu uso em desacordo com as regras estabelecidas no negócio.
  O dinheiro arrecadado será investido na geração de emprego com objetivo de amenizar a crise causada pelo combate ao contrabando feito pela Receita Federal. ‘‘A verba será usada para criar frentes de trabalho para construir casas populares e fazer roçadas’’, informou o secretário de Administração, Adevilson de Oliveira Gonçalves.
  Segundo ele, a falta de postos de trabalho foi acentuada após a inauguração da nova aduana, em novembro passado (a reforma da alfândega facilitou a vistoria de bagagens). Se tudo transcorrer dentro do esperado na estréia do pregão, o município espera receber do governo federal mais mil veículos nos próximos meses e leiloá-los ainda em 2007.
  A Receita Federal tem cerca de 3,5 mil veículos sob sua custódia. ‘‘Muitos deles já podem ser doados’’, informou o delegado-substituto, Gilberto Tragacin.

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