Foz tem 50% de presos por lavagem no País
A Polícia Federal (PF) revelou ontem que pelo menos 50 pessoas foram presas em Foz do Iguaçu nos últimos três anos por crime de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A maioria das prisões ocorreu em flagrante na região da Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, segundo informou o Departamento de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (DCoie) da PF. O DCoie diz que as prisões correspondem à metade das registradas no Brasil (em torno de 100) por crime de lavagem e evasão de dinheiro.
Além de Foz, as prisões aconteceram em Ponta Porã (MS, fronteira brasileira com o Paraguai), Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o Dcoie, foram realizadas em Foz 11 prisões neste ano, 23 no ano passado e, no mínimo, 16 no ano retrasado (o número exato não foi divulgado). Também não há levantamento recente do número de presos que permanece detido.
Entre os presos, a maioria é laranja (pessoas pagas para levar o dinheiro ao país vizinho ou para abrir contas correntes CC-5 em seus nomes verdadeiros) e funcionários de casas de câmbio e bancos. O caso mais notório é o do funcionário do Banco del Paraná (braço do Banco do Estado do Paraná no país vizinho), Vítor Hugo Sosa, flagrado no dia 12 de julho deste ano com R$ 1,17 milhão em cheques quando transitava pela Ponte da Amizade. Ele foi libertado em 25 de setembro, após o Banestado ter pago fiança. Atualmente, responde processo em liberdade.
Por outro lado, os investigadores conseguiram recuperar cerca de R$ 7 milhões e US$ 200 mil em cheques e espécie, em operações no ano passado e neste. A maior parte do dinheiro estava em poder de pessoas presas em flagrante quando atravessavam a Ponte da Amizade. Enquanto não forem julgadas as ações, o dinheiro fica retido pela Justiça.
A quantia é pequena se comparada aos quase US$ 10,5 bilhões (mais de R$ 20 bilhões) lavados na fronteira Brasil-Paraguai por meio das CC-5, de acordo com a CPI Estadual do Narcotráfico. A Polícia Federal acredita que grande parte do dinheiro seja proveniente de atividades ilícitas, como contrabando, tráfico de drogas e de armas. A Polícia está rastreando o destino das remessas.
Há suspeita de que o valor seja bem maior, porém o DCoie não precisou a quantia exata lavada na fronteira. Informações oficiais do Banco Central apontam que de 1992 a 1998 foram enviados para o exterior R$ 124,143 bilhões em todo o Brasil. A quantia foi movimentada através de 12 mil operações bancárias, que envolveram perto de oito mil pessoas em todo o País, cerca de 1 mil que operavam em Foz.
Conforme o delegado do DCoie, Protógenes Queiroz, o trabalho da missão especial na fronteira resultou no fim das CC-5 na cidade. Das 226 pessoas que usam ou usavam as contas no Brasil, 85 são de Foz do Iguaçu. Queiroz garante que hoje existe apenas uma conta deste tipo no município, mantida pelo Banco Araucária. As outras foram fechadas. Esse resultado é uma resposta do trabalho do DCoie à sociedade, diz o delegado.





