Das 110 pessoas e empresas do Paraná citadas na lista da CPI Nacional do Narcotráfico, 16 (o equivalente a 14,5% do total) são de Foz do Iguaçu ou já mantiveram negócios e trabalho no município. Entre os indiciados estão policiais, empresários que atuam no setor turístico, donos de casas de câmbio e até o vereador eleito com o maior número de votos na última campanha – Adilson Ramirez Rabelo (PPB), que obteve 1.781 votos.
O empresário Paulo Mandelli (acusado de tráfico de drogas, compra e desmanche de veículos roubados, extorsão, além de corrupção passiva e ativa), morou três anos em Foz e ainda mantém duas revendedoras de peças usadas. Os delgados João Ricardo Kepes de Noronha e Luiz Carlos de Oliveira não estão mais na cidade, mas respondem processos na Justiça Federal. Noronha trabalhou como delegado-chefe da Polícia de Foz em 99 e Oliveira em 98.
A Procuradoria da República, que atualmente investiga mais de mil nomes envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro na fronteira, também está de olho em todos os suspeitos que apareceram no relatório final da comissão. O procurador Mark Weber evitou dar detalhes dos processos que estão tramitando, mas confirmou que recebeu denúncias contra as pessoas citadas.
Todas as casas de câmbio paranaenses apontadas na lista também são Foz, totalizando nove pessoas envolvidas em lavagem de dinheiro na fronteira que trabalham ou são proprietárias dos estabelecimentos.
A Polícia Federal (PF) também está investigando os suspeitos. Inquéritos abertos pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais (Dcoie), confirmam o envolvimento direto de alguns dos nomes em compra e venda ilegal de moeda estrangeira, extorsão e aliciamento de pessoas para atuarem como ‘‘laranjas’’ na lavagem de dinheiro.
Além de Rabelo, Mandelli, Noronha e Oliveira, os citados pela CPI do Narcotráfico em Foz são: Ary Quadros (proprietário de aeroporto particular), Cláudio Guergolet (da Relay Turismo), Cláudio Kikuchi (delegado da Polícia Civil que atua na 6ª SDP de Foz), Serve-Ten (casa de câmbio), Elói Biezos (proprietário de heliporto), Ênio Domingues Coan (Coan Turismo), Ortega Turismo, João Batista Câmara (Casa de Câmbio Ortega Turismo), José Roberto Albanez (Rota-Tur ou Aruana Turismo), Marcos Aurélio da Silva Sgandela (Itaipu Câmbio e Turismo), Nívea Curti (Itaipu Câmbio) e Orlando Teófilo (Itaipu Câmbio).
A Folha conversou com representantes e com os próprios acusados, que negam as denúncias feitas pela CPI. Guergolet divulgou nota ontem informando que ‘‘nunca teve seu nome envolvido com tráfico de drogas ou lavagem de dinheiro e que jamais foi convocado para depor à CPI’’. Alguns preferiram não se manifestar como Ary Quadros, que quer aguardar a citação oficial. Outro como o delegado Kikuchi, que trabalha há 12 anos em Foz, acredita em perseguição. ‘‘Já mandei muita gente para a cadeia e é natural essa perseguição. Nunca fiz nada de errado e só procuro trabalhar’’. O vereador não foi encontrado.

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