Foz quer ter propaganda na CNN
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segunda-feira, 10 de maio de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe Folha 
Curitiba - A Prefeitura de Foz do Iguaçu pretende pedir à rede norte-americana de notícias CNN que divulgue campanhas institucionais favoráveis à cidade para compensar um suposto prejuízo decorrente de matérias veiculadas pela emissora em novembro de 2001. Na época, a CNN veiculou notícias de que a comunidade árabe residente em Foz e Ciudad del Este, no Paraguai, estaria financiando atividades terroristas da rede Al-Qaeda.
A polêmica começou após a rede divulgar imagens de um escritório supostamente utilizado pelos terroristas com uma gravura de uma cachoeira. A reportagem afirmou que a foto seria das cataratas de Foz, o que foi posteriormente negado com a análise das imagens. Posteriormente, a emissora também afirmou que mesquitas na região teriam ligações com o terrorismo internacional.
A resposta da Prefeitura de Foz do Iguaçu às acusações se deu em duas partes. A primeira foi o protocolo de uma ação contra a CNN na Justiça Estadual. Amanhã, representantes da prefeitura e da emissora têm uma audiência marcada na 2 Vara Cível de Foz do Iguaçu para tentar uma conciliação. ''Não temos interesse em ressarcimento financeiro. Faremos uma proposta para que a emissora veicule campanhas institucionais da cidade, de forma a ressarcir o prejuízo causado com a diminuição de visitantes causado pela reportagem inverídica'', explicou o procurador de Foz, Antonio Vanderly Moreira.
A outra estratégia do município para evitar a queda do fluxo de turistas foi apelar para o humor. Pouco depois das notícias, a prefeitura publicou propagandas em revistas nacionais e internacionais contendo fotos do terrorista Osama Bin Laden com a frase: ''Se até ele quer vir a Foz do Iguaçu, por que você também não visita?''.
A Folha tentou contato com os advogados da CNN, mas não conseguiu localizá-los. A Prefeitura de Foz também move uma ação contra o procurador da República, Celso Antônio Três, que deu declarações à imprensa gaúcha vinculando a lavagem de dinheiro realizada através de agências do Banestado em Foz com o financiamento de atividades terroristas. Essa ação ainda está em sua fase inicial.


