Foz do Iguaçu, sexto maior colégio eleitoral do Estado com 148.829 eleitores, entra na era da urna eletrônica tentando se firmar como um pólo político regional. Os candidatos do município (que não tem representante na Câmara Federal e possui apenas dois deputados estaduais) às eleições proporcionais de outubro, buscam regionalizar os temas de campanha para conquistar votos também nos municípios vizinhos. Outra intenção das lideranças políticas da cidade é diminuir o número de votos em candidatos ‘‘nanicos’’ (ligados a pequenos partidos) e em postulantes de outras regiões. Uma campanha da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi) está incentivando os eleitores a votarem em candidatos da cidade que tenham chances de vitória. Nas últimas eleições parlamentares, Foz teve cerca de 30% de seus votos concedidos a candidatos de outras regiões do Estado, índice considerado elevado no meio político da cidade. Mas, por sugestão da administração municipal a campanha da Acifi pode ganhar outro ingrediente. ‘‘Temos que lutar também contra o desperdício de votos: votos brancos e nulos são contra a cidade’’, lembra Mauri Konig, secretário municipal de Comunicação Social.
Ney de SouzaFederalSamis da Silva em outubro pretende trocar Curitiba por Brasília‘‘A busca do voto bairrista é um fenômeno que, na verdade, tenta substituir o voto distrital’’, analisa o sociólogo José Afonso de Oliveira, se referindo a um dos pontos que deve ser discutido na provável reforma política, no próximo ano. O sociólogo lembra também que o ‘‘perfil atípico’’ de Foz - fronteiriça e de grande população flutuante - explicaria a condição politicamente desfavorável em relação a outros centros do mesmo porte. ‘‘A diferença em relação a Cascavel, por exemplo, que tem um (deputado) federal e um estadual, é que aqui o eleitorado está em permanente formação, fruto do crescimento acelerado que a cidade viveu nas últimas três décadas’’, teoriza. ‘‘Este fenômeno atrapalha a identificação entre o candidato e seu eleitorado’’.
Ao mesmo tempo que empresários da cidade acreditam na estratégia do ‘‘voto pela cidade’’ para garantir a representação em Curitiba e em Brasília, assessores de campanha dão como certo o acirramento da campanha em municípios menores como Santa Terezinha de Itaipu, Missal, Itaipulândia e São Miguel do Iguaçu. ‘‘Os votos em Foz não são suficientes para eleger ninguém’’, diz Amauri Scudero, assessor de Sérgio Spada (PSDB), deputado estadual que tenta a reeleição. No programa de Spada estão temas regionais como aproveitamento turístico do Lago Itaipu, a questão da abertura da Estrada do Colono, a ampliação e descentralização da Unioeste e a duplicação da BR-277.
Embora apóie Roberto Requião para governador, o deputado estadual Samis da Silva (PMDB), que em outubro pretende trocar Curitiba por Brasília, aposta no incremento da Costa Oeste, expressão criada por Lerner para definir a região banhada pelo Lago de Itaipu. Na campanha de Samis, a representação política na Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) e sua consequência benéfica para sete municípios será um dos assunto obrigatório em comícios e entrevistas. ‘‘Nossas reinvindicações em Brasília, na área turística, costumam ser barradas pela nossa fragilidade política’’, diz Samis. O candidato quer ser uma espécie de embaixador da Costa Oeste, junto ao governo federal.
O prefeito Harry Daijó (PPB), que ainda não definiu qual candidato a deputado federal apoiará, torce para que Foz consiga um representante no Congresso Nacional. ‘‘O prefeito fazer a tarefa de parlamentar, se deslocando a Brasília pelos mais diversos motivos, além de tomar um tempo que poderia ser usado para outras coisas, é desgastante física e politicamente’’, conclui Daijó.Ney de SouzaEstadualDobrandino pode ser impedido de concorrer pela Justiça EleitoralLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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