Foz já lavou US$ 8 bilhões
Nos últimos três anos, agências bancárias e casas de câmbio de Foz do Iguaçu enviaram ao exterior US$ 8 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões em valores atuais) provenientes de atividades ilícitas. A informação foi repassada aos deputados da CEI do Narcotráfico pelos procuradores da República na cidade. Esse valor representa quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano, estimado em cerca de US$ 500 bilhões.
Néviton Batista Guedes, Alexandre da Porciúncula e Eduardo Rodrigues comandam 200 inquéritos que apuram o envolvimento de mais de 2 mil pessoas, 40 casas de câmbio e quatro bancos da fronteira na lavagem de dinheiro. As apurações são feitas em sigilo, mas a Folha obteve o nome de três bancos envolvidos: Banestado, Araucária e Del Paraná.
Na opinião de Ângelo Vanhoni (PT), presidente da CEI, a lavagem é favorecida por falta de fiscalização e omissão do Banco Central. ‘‘Todas as operações passam on line no computador, basta colocar dez pessoas para fiscalizar’’, disse. Vanhoni disse também que a falta de equipamentos e pessoal impede que a Polícia Federal combata o tráfico de drogas na fronteira com o Paraguai. A Delegacia de Foz, que atende esta faixa, tem 120 policiais. O número ideal seria o dobro. ‘‘Se há um lugar em que se brinca de fiscalização é Foz do Iguaçu’’, criticou o deputado.
O procurador do Estado em Foz, Paulo Gomes Júnior, repassou à CEI um relatório que mostra que, nos últimos três anos, foram criadas 4,4 mil empresas na cidade. Ele acredita que a metade desse número seja de empresas de fachada para a legalização do dinheiro proveniente de crimes como narcotráfico, contrabando e sonegação fiscal.
As investigações sobre a lavagem de dinheiro – considerada um crime federal – na fronteira serão repassadas pela CEI à CPI nacional do narcotráfico. O objetivo é que a comissão paranaense funcione como um elo de apuração da comissão nacional.
Ontem, após a visita dos deputados, a Câmara de Vereadores de Foz decidiu recolocar na pauta de discussões a proposta de uma CEI própria para receber denúncias anônimas da população sobre o narcotráfico. O presidente da Casa, Vilmar Andreola (PSDB) garantiu que a comissão será criada. A medida saiu da pauta de votação porque muitos vereadores acreditavam que as apurações poderiam atrapalhar o turismo, principal atividade econômica do município. (V.D.)

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