Foz e Cascavel eram ‘compradas’ Paulo Pegoraro De Cascavel Cascavel e Foz do Iguaçu estariam entre as cidades mais cobiçadas do Estado, por delegados, investigadores e outros policiais envolvidos com o crime organizado, porque lhes permitiam ações lucrativas. Até mesmo cargos de delegado seriam comprados, por no mínimo US$ 5 mil, dinheiro que comporia um caixinha. A ‘‘compra’’ do cargo e a vinculação com criminosos foram relatadas em depoimentos tomados pela CPI do Narcotráfico. Cascavel é considerada estratégica no esquema – passagem de drogas – e Foz, entrada pelo Paraguai. Também a passagem para o Paraguai de carros roubados tem como rota obrigatória as duas cidades. E a lavagem de dinheiro ocorreu de forma expressiva nos últimos anos nas duas. O delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, Haroldo Davison, garante que não pagou para obter o cargo, e que não há subordinados seus acumpliciados ao crime organizado. Davison foi nomeado para o cargo com apoio do deputado estadual Tiago de Amorim Novas (PTB), que integra a comissão da Assembléia que desdobra no Paraná a CPI do Narcotráfico. Ele garante que contra integrantes de sua equipe não há acusações formais. ‘‘Temos traficantes aqui, mas dentro do Mini-presídio’’, afirma. O delegado acrescenta que as ações da Procuradoria não envolveram integrantes da equipe que trouxe, quando assumiu o cargo, no ano passado, na repentina substituição do delegado-chefe (e de subordinados) Osnildo Carneiro Lemos – ele, e alguns subordinados, submetidos a investigações, por motivos diversos. Ao longo do tempo, Celso Três insistiu em denúncias de extorsão em rodovias, enriquecimento ilícito e até mesmo envolvimento no golpe ‘‘3x1’’ – troca de três notas de dinheiro falso por uma verdadeira, entregue por ‘‘vítimas’’ – pessoas ávidas por levar vantagem.