Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu é uma das principais rotas de entrada no Brasil da maconha produzida no interior do Paraguai. Apenas nos dez primeiros meses deste ano, a Delegacia da Polícia Federal na cidade apreendeu aproximadamente uma tonelada da droga e prendeu 15 pessoas por tráfico internacional. ‘‘Toda a fronteira é ponto de passagem de drogas’’, confirmou ontem à Folha o delegado da PF em Foz do Iguaçu, Eudes Carneiro.
Localizada na fronteira brasileira com Paraguai e Argentina, Foz do Iguaçu deverá ser uma das cidades paranaenses onde os integrantes da CPI do Narcotráfico da Câmara concentrarão suas investigações sobre a atuação das quadrilhas de traficantes de drogas no Estado. Ainda não há data prevista para a chegada dos deputados ao Paraná.
Além da prisão de traficantes e apreensão de drogas, outro indício da existência de ramificações de cartéis da droga na cidade é a lavagem de dinheiro. Entre 1992 e 1998, foram remetidos R$ 8,1 bilhões ao exterior por meio das contas CC-5 em bancos da cidade. Absolutamente legal, esse sistema de remessa acaba sendo usado por quadrilhas de tráfico de drogas e armas e de contrabando, devido às deficiências da fiscalização do Banco Central. Calcula-se que pelo menos a metade desse valor seja de origem criminosa.
Segundo informações da CPI, traficantes brasileiros financiam o plantio de maconha por agricultores pobres paraguaios. Depois, a droga é comprada por eles, por preços irrisórios em relação ao valor final, e ‘‘exportada’’ para Brasil e Argentina. O delegado Carneiro disse desconhecer essa conexão, mas confirmou que a maconha apreendida em Foz é procedente do Paraguai. Carneiro não quis comentar a provável investida da CPI na cidade.
Para o psiquiatra José Elias Aiex Neto, ex-integrante dos conselhos Federal e Estadual de Entorpecentes, a visita da comissão será muito proveitosa. ‘‘Não dá para esconder o lixo para debaixo do tapete.’’ Segundo ele, o tráfico e o consumo de drogas em Foz são problemas ‘‘gravíssimos’’ e envolvem ‘‘muita gente importante’’.
Aiex é um dos integrantes de uma comissão criada pelo Poder Judiciário para analisar pedidos de benefícios no cumprimento de penas por presos na cidade. Todo ano, o grupo multidisciplinar avalia pelo menos 100 casos de presos por tráfico de drogas – principalmente maconha – o que evidencia a condição da cidade como porta de entrada do entorpecente no País. ‘‘Geralmente são desempregados, que aceitam levar grandes quantidades por valores irrisórios’’, informa Aiex.

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