Foz do Iguaçu é o próximo alvo de CEI
Data de visita à fronteira deve ser definida hoje e poderá coincidir com vinda ao Paraná de membros da CPI do Narcotráfico
Arquivo FolhaPrioridadesTiago Novaes: investigações sobre drogas e lavagem de dinheiroValmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A próxima investida da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Assembléia Legislativa que apura o narcotráfico no Paraná será em Foz do Iguaçu. Os membros da comissão decidirão hoje as datas em que estarão na cidade, segundo informou, no final da tarde de anteontem, o deputado Tiago de Amorim Novaes (PTB), sub-relator da CEI.
Localizada na fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina, Foz do Iguaçu é considerada no País uma das principais portas de entrada de drogas e evasão de divisas, por meio da lavagem de dinheiro. As investigações da CEI na fronteira deverão se concentrar nesses dois crimes. Novaes não adiantou os nomes de pessoas que serão ouvidas e casas de câmbio que terão suas atividades devassadas.
Dificilmente o trabalho da CEI será realizado em Foz ainda este ano. No próximo dia 15, a Assembléia entrará em recesso. O mais provável é que a visita dos deputados ocorra a partir do dia 15 de janeiro, simultaneamente com a vinda à fronteira dos integrantes da CPI do Narcotráfico da Câmara Federal. Nesta semana, parlamentares da CPI deverão se reunir com membros da CEI paranaense, em Curitiba, para discutir uma possível ação conjunta na região.
Novaes disse que a Assembléia está instalando linhas telefônicas para receber denúncias anônimas da população sobre a atuação do narcotráfico no Estado. Segundo ele, dependendo do volume de denúncias ‘‘e da comoção’’ que elas criarem, os deputados poderão instalar uma CPI específica para investigar esse assunto.
O deputado defendeu a instalação de CEIs nas Câmaras dos principais municípios para municiar os deputados federais e estaduais com informações sobre o crime organizado. No Paraná, essa iniciativa já foi tomada pelas câmaras de Londrina, Maringá e Cascavel.
A ‘‘interiorização’’ da CEI da Assembléia começou na semana passada, quando os deputados ouviram o procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, pivô de uma investigação que apura o elo entre a lavagem de dinheiro e a remessa de divisas ao exterior por meio das contas bancárias CC-5.
Anteontem, Tiago Novaes esteve em Foz do Iguaçu participando de encontro nacional de seu partido, o PTB. Durante o simpósio, foi aprovada uma nota oficial de censura ao Poder Judiciário, pela concessão de liminares que, na visão do partido, ameaçam esvaziar a CPI do Narcotráfico. ‘‘Precisamos de mais respeito ao Congresso’’, afirmou o presidente nacional do PTB, o paranaense José Carlos Martinez.
A nota foi uma resposta à liminar concedida pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), permitindo que um advogado se manifestasse durante o depoimento de seu cliente – um investigador da Polícia Civil de Campinas (SP) – à CPI. ‘‘Estamos cansados de medidas judiciais beneficiando bandidos’’, completou Martinez.
O presidente da CPI, Magno Malta (ES), era o participante mais aguardado do encontro de filiados do PTB. Mas ele não chegou a Foz. A justificativa apresentada foi que o deputado perdeu o vôo que o traria de Vitória.

mockup