Fox pede manutenção da política de FHC
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Agência Estado 
Brasília - O presidente do México, Vicente Fox, afirmou ontem, em Brasília, que seja quem for o eleito, deve manter o modelo econômico do governo. E, segundo ele, o acordo de complementação econômica assinado com o presidente Fernando Henrique Cardoso só foi possível por causa dos princípios comuns seguidos pelos dois países, como a disciplina financeira no manejo dos recursos públicos, o impulso ao comércio internacional e o respeito às regras do mercado e às variáveis fundamentais da economia.
''O Brasil tem uma economia forte e sólida e tem sido muito exitoso nos últimos anos e, portanto, deve conservar seu rumo, seu modelo, independente de quem seja o candidato vencedor'', afirmou o presidente do México.
Para Fox, que manteve encontro com os candidatos à Presidência da República no final da tarde de ontem, a conversa com a oposição ou com candidatos de diferentes partidos faz parte do exercício da democracia e da pluralidade e tem sido repetida, sempre que possível, nos países que visita. ''É importante conhecer a situação política de cada país, e aqui, no Brasil, há uma sucessão presidencial da maior importância para conhecermos o pensamento dos candidatos e saber até onde vão suas propostas.''
Os candidatos da oposição, em especial o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas, têm buscado comprometer-se com a preservação da estabilidade e dos superávits fiscais, mas sempre que podem criticam e falam em mudar o atual molde, por considerá-lo incompatível com um crescimento econômico sustentado. Para Fox, entretanto, o êxito da estabilidade no México e no Brasil está calçado nas ações seguidas pelos dois países, sintetizadas no controle da inflação e do déficit público e na abertura econômica.
''Nessa filosofia, está a base fundamental do êxito que o México tem tido e tem para navegar em tempos difíceis e içar as velas quando os ventos são favoráveis'', disse. No café da manhã, ele reuniu-se com vários empresários do Brasil e do México e repetiu essa mesma convicção no rumo das duas maiores economias da América Latina.
Fox também manifestou interesse em diversificar o comércio mexicano, atualmente, excessivamente dependente dos Estados Unidos, do qual é sócio no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). Amanhã, o presidente mexicano estará em Buenos Aires, junto de Fernando Henrique, participando da reunião da Cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
A aproximação do México ao bloco sul-americano é vista como estratégica para os interesses do governo brasileiro de contrabalançar a hegemonia norte-americana no continente. Apesar de politicamente afinado com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Fox tem tido alguns momentos de independência, pois corre o risco de ser completamente anulado pelo vizinho do norte.
Ex-presidente da Coca-Cola no México, o presidente foi eleito em julho de 2000 pelo direitista Partido de Ação Nacional (PAN), depois de cerca de 70 anos de domínio do Partido Revolucionário Institucional (PRI).


