O fotógrafo Roberto Brasiliano – assessor da Prefeitura de Londrina – foi ouvido ontem pelo Ministério Público (MP) sobre o seu trabalho com o prefeito prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido). Brasiliano afirmou que foi questionado sobre o uso de seu telefone celular para contatos telefônicos de Belinati. Entre as várias pessoas com quem teve contato está Cassimiro Zavierucha, o ‘‘Carlos Júnior’’, considerado caixa de campanha do prefeito cassado.
Brasiliano se disse tranquilo e que o MP pode quebrar seu sigilo bancário. O fotógrafo justificou o trabalho que desenvolvia junto a Belinati. ‘‘Servia café, puxava a cadeira, atendia o povo e ainda por cima tirava fotos’’, afirmou, durante uma entrevista coletiva. Ele confirmou que seu nome está na lista de pagamentos de Carlos Júnior porque recebeu dinheiro do empresário e da secretária do ex-prefeito Damaris Praxedes para fazer pagamentos a pessoas que telefonavam para a prefeitura pedindo presentes, principalmente crianças carentes que ganharam bicicletas e outros brinquedos.
Em relação a seu telefone celular, disse que, como assessor, recebeu ligações de Carlos Júnior e de outras pessoas, como assessores do governador Jaime Lerner (PFL) e do deputado federal José Janene (PPB), além do próprio Carlos Júnior. Ele disse ainda que o empresário ia constantemente ao gabinete do prefeito cassado. ‘‘O Paraná inteiro sabe que eles são amigos’’, justificou.
Ontem à Folha, Belinati afirmou que Carlos Júnior estava sempre em seu gabinete quando havia solenidades, assim como outros jornalistas. O prefeito cassado justificou os contatos telefônicos através do telefone de seu assessor. ‘‘O prefeito de uma cidade como Londrina não pode ficar com um celular sobre a mesa, acredito que até hoje é assim’’, explicou. Belinati também negou que Carlos Júnior tenha sido seu caixa de campanha. ‘‘A Folha pode checar isso no Tribunal Regional Eleitoral’’.
Sobre as acusações de ser o responsável pelo esquema de corrupção na prefeitura, Belinati alegou que ‘‘no momento certo’’ irá se pronunciar sobre as denúncias. Ele elogiou o trabalho dos promotores que investigam o chamado escândalo AMA/Comurb e se disse tranquilo. ‘‘Espero que eles investiguem tudo, usem até um microscópio, porque não irão encontrar nada em minhas contas, nada. Quem sabe depois poderão me ajudar porque estou com dificuldades para pagar advogados’’, comentou. (L.R.)

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