O Fórum de Londrina sorteia hoje, às 9 horas, qual das quatro varas criminais da cidade receberá o inquérito que apura violação de segredo de justiça na Sercomtel. O documento de 345 páginas cujo relatório foi concluído anteontem à tarde foi entregue ontem de manhã no Cartório Distribuidor pelo delegado da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Alan Flore.
No inquérito foram indiciados formalmente o presidente da Sercomtel, João Rezende, e o detetive particular Paulo Rodrigues. Segundo o delegado da PIC, ''não restam dúvidas'' de que houve prática de infração penal por ambos pelo fato de terem tido acesso a fotocópias de ofícios judiciais que determinavam a interceptação e a quebra de sigilo telefônicos. Em depoimento, Rezende contou que teve acesso ao material seguindo o regimento interno da empresa, que lhe delegaria essa função no papel de presidente. Já Rodrigues foi preso em outubro passado por porte ilegal de munição, mas teria cópias semelhantes às feitas por Rezende, diz a PIC, em sua residência. Além dos ofícios, também foram encontrados com ele extratos telefônicos do prefeito Nedson Micheleti (PT) e dos secretários municipais Wilson Sella (Fazenda) e Aloysio Crescentini de Freitas (Obras e Pavimentação).
Imediatamente após a distribuição e registro no Fórum, o inquérito é repassado ao Ministério Público (MP), que pode ou não oferecer denúncia contra os indiciados. Se feita e aceita pela Justiça, Rezende e Rodrigues podem responder pela violação do artigo 10º da lei 9.296/96, que regula as interceptações e sigilos de dados telefônicos. Em caso de condenação, a pena nesse caso pode variar de dois a quatro anos de prisão, acrescida de multa.

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