São Paulo - A quinta edição do Fórum Social Mundial vai terminar com o mesmo dilema que marcou seu início: o que fazer para ir além daquilo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de ''feira de produtos ideológicos''? A julgar pela quantidade de temas que foram acrescentados nas listas de debates deste ano, pela ausência de preocupação com a definição de prioridades e pela dificuldade para se estabelecer ações unificadas, isso não preocupa os organizadores. Na verdade, a maioria deles festeja esse caráter de feira.
Uma das vozes que se opõem de maneira mais ácida à idéia de feira é o sociológo Emir Sader, um dos idealizadores do fórum e membro do comitê internacional de organização. Para ele, o evento corre o risco de se tornar uma espécie de Woodstock permanente, um local para se festejar e trocar idéias.
''Já estamos na quinta edição do evento e ainda não conseguimos aparecer no cenário político mundial'', diz o sociólogo. ''Não conseguimos impedir a guerra do Iraque e, num mundo dividido entre os fundamentalismos de Bush e o dos islâmicos, parece que nem existimos.''
Sader gostaria que os debates fossem mais focalizados em temas considerados prioritários e que o fórum tivesse um papel mais importante na definição e articulação de ações globais.

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