Porto Alegre - O maior Fórum Social Mundial já realizado se encerrou ontem computando a presença de 155 mil inscritos e a movimentação de US$ 60 milhões. Em relação aos outros fóruns realizados em Porto Alegre, os números são bastante superiores: no primeiro, em 2002, os 60 mil presentes movimentaram US$ 27 milhões. No segundo, em 2003, foram 100 mil pessoas e uma movimentação de US$ 50 milhões. Em 2005, a estimativa era de 150 mil, mas os inscritos superaram levemente essa estimativa. Em 2004, o fórum foi realizado na Índia e contou com cerca de 100 mil pessoas.
No domingo à noite, foi definida uma espécie de ''consenso de Porto Alegre'', com uma lista de 12 conclusões do fórum, assinada pelos principais organizadores do evento. Dentre outros pontos, o manifesto fala em anular a dívida externa dos países do Sul, aplicar taxas internacionais às transações financeiras, desmantelar os paraísos fiscais, emprego para todos os habitantes do planeta, promoção do comércio justo (''rechaçando as regras do livre comércio''), garantir a soberania alimentícia de cada país, combater lutar contra racismo, sexismo, xenofobia e anti-semitismo etc.
O encontro de Porto Alegre teve gosto de despedida. A próxima edição, em 2006, será realizada em diversas regiões, para tornar o evento mais abrangente e enraizá-lo onde ainda é pouco conhecido. Na América Latina, a sede será a Venezuela (provavelmente, Caracas). Em 2007, será a África. Além dos 155 mil participantes, o balanço feito pela organização do fórum relata que 6.588 organizações de 135 países participaram das 2.500 atividades.
A leitura do texto com os números do fórum foi realizada pela índia Ariana Morinico e pelo representante do movimento negro Valério Lopes. Índios leram uma declaração afirmando seus direitos, valores e princípios, lembrando direitos previstos no convênio 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
Em cada espaço temático, foram afixados murais para receber as propostas que resultassem dos debates e assembléias. No total, foram 352 propostas. Paralelamente ao encerramento oficial do evento, uma caminhada contra a Alca reuniu cerca de 7 mil pessoas no centro de Porto Alegre.
Anteontem à noite, no dia em que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, esteve em Porto Alegre, a organização do fórum definiu a Venezuela como nova sede, em substituição à capital gaúcha, em 2006. Um dos integrantes do comitê internacional do fórum, o presidente do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Cândido Grzybowski, confirmou a Venezuela como nova sede e até já agradeceu a Chávez pela sua vontade de receber o evento.

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