O Fórum Popular contra a Venda da Copel inicia hoje a contagem das assinaturas que estão sendo colhidas em todo o Estado. O objetivo é conseguir 65 mil assinaturas para apresentar na Assembléia Legislativa um projeto de lei de iniciativa popular para barrar a privatização da estatal. A apresentação do projeto deve ocorrer até o dia 11 de junho, quando está programada uma mobilização em frente à Assembléia. Entre dez e 15 mil pessoas de várias regiões são esperadas na chamada Marcha do Paraná contra a Venda da Copel.
O coordenador do fórum, Nelton Friedrich, disse que a contagem das assinaturas segue até quarta-feira. Ele ressaltou que, independente da contagem, a coleta de assinaturas segue em vários municípios até o dia 11 de junho. ‘‘A expextativa é muito boa’’, afirmou. O projeto popular tem o objetivo de revogar a Lei 12.355/98, que autoriza o governo do Estado a vender a estatal de energia.
Ontem, na Boca Maldita, no centro de Curitiba, integrantes do fórum realizaram uma panfletagem e recolheram assinaturas. Para a recepcionista Wilma Moreira de Araújo, que passava ontem pela Rua XV de Novembro, a venda da Copel é um prenúncio de que os serviços vão piorar e muito. ‘‘Já basta o que está acontecendo com a Telepar. O serviço está piorando a cada dia e o que ainda é mais grave, tem ocorrido inúmeras cobranças indevidas. Com certeza, o mesmo vai acontecer com a Copel.’’
A marcha contra a venda, marcada para junho, sairá da praça Santos Andrade, no centro da Capital, às 13 horas, em direção à Assembléia Legislativa. Os manifestantes garantem que não haverá ocupação no prédio da Assembléia, como divulga um fax anônimo que chegou ontem à redação da Folha. Segundo o fax, ‘‘a Marcha do Paraná contra a venda da Copel será o estopim para, no dia 12, iniciarmos a ocupação e paralisação da Assembléia até que seja assegurada a tramitação e votação desse que será o primeiro projeto de iniciativa popular da história de nosso Estado’’.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB) ficou sabendo da existência do fax ao ser entrevistado pela Folha. ‘‘A Assembléia é a Casa do povo, estamos sempre abertos para dialogar, mas não vamos permitir baderna lá dentro. Cada eleitor tem que cobrar do seu deputado, mas não desse jeito’’, afirmou, referindo-se à suposta invasão. Mesmo com a ameaça, o presidente da Assembléia disse que não vai alterar a rotina de trabalho. ‘‘Não há necessidade de reforçar a segurança. O povo do Paraná é um povo pacífico’’, afirmou.
Sobre a eventual privatização da Copel, Hermas Brandão disse ontem que caso a questão voltar à Assembléia, pretende seguir as leis que regem a casa. Ele não quis polemizar com o tema. ‘‘Posso garantir que não fugirei uma vírgula do regimento interno.’’ O governo pretende vender a estatal em outubro ou novembro deste ano.
Até o dia 11 de junho, integrantes do fórum pretendem realizar várias atividades, como encontros regionais e debates. ‘‘Ontem (anteontem), por exemplo, fizemos uma manifestação em frente à casa do deputado governista Duilio Genario, em Toledo’’, disse Friedrich. Segundo ele, os manifestantes carregavam velas e lamparinas e gritaram palavras de ordem. O ato durou cerca de duas horas. ‘‘Se ele estava em casa, não apareceu.’’ Manifestações semelhantes em frente a casas de outros deputados governados estão sendo programados pelas entidades. (Colaborou Lucilia Okamura, de Londrina)

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