Fórum na UEL discute a corrupção
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de setembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Debater a corrupção com base naquilo que ela pode representar sob diversos pontos de vista; pensar no que pode ser feito - inclusive no dia-a-dia - para combatê-la; analisar quem ganha e quem perde nesse processo. Essa é a proposta de discussão do projeto ''Democracia Deliberativa e o papel das universidades públicas'', que promove uma série de fóruns, a partir de hoje.
O primeiro deles acontece na Universidade Estadual de Londrina (UEL), na Sala 1 do Centro de Ciências Humanas (CCH). O evento tem início às 19h30 e é aberto à comunidade.
O projeto integra uma rede de estudos sobre os modos de se fazer política espalhada por vários países e constituída como Consórcio Internacional da Sociedade Civil para Deliberação Pública (www.icscpd.org). Além de organizações não-governamentais (ONGs), o grupo conta também com instituições de ensino superior como a Universidad de los Andes, na Colômbia, a Moscow Pedagogical University, na Rússia, e a UEL, no Brasil. A idéia é que, a partir da chamada pesquisa-ação, os participantes procurem compreender de que modo fóruns deliberativos do gênero podem alavancar iniciativas de promoção de práticas democráticas mais justas.
Segundo a coordenadora do projeto em Londrina, a professora de Letras Estrangeiras Modernas da UEL, Telma Gimenez, a abertura do debate ao cidadão não necessariamente especializado no estudo da corrupção não foi uma decisão aleatória dos organizadores: ''A proposta desses fóruns é justamente que haja uma conversa entre os cidadãos sem que ninguém esteja em uma posição hierárquica - cada um fala da sua visão sobre corrupção, e isso vai sendo comparado'', explicou. Completando disse que ''é preciso ouvir diferentes vozes e pensar o que o cidadão comum pode fazer''.
Mesmo assim, a coordenadora salientou que será feita uma espécie de trabalho preparatório ao debate, com três enfoques. ''Um deles, é sobre o fortalecimento dos mecanismos legais que impeçam a corrupção. O outro, refere-se à educação das pessoas: para que elas de fato se conscientizem, algumas formas de corrupção na vida cotidiana precisam ser evitadas. E o terceiro enfoque é sobre a transparência, o controle social, que também envolve o monitoramento feito pelo cidadão'', enumerou.
Na avaliação da professora, apesar de pesquisas recentes apontarem o Brasil como um dos piores países na percepção do eleitor sobre a corrupção, ''ainda há algo que a sociedade possa fazer''. ''O clima de impunidade leva a essa percepção e ajuda a cristalizá-la, mas em fóruns como esses é que se promove a conscientização, vê quais os caminhos possíveis para ela e, no futuro, isso se reflete em um voto mais consciente'', aposta.
Além da UEL, o debate acontece esta semana também na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), na sexta-feira, às 17h30. Os interessados em participar podem ligar para o tel. (43) 3371-4468.


