Fórum já tem 11 entidades confirmadas
Patrícia Zanin
De Londrina
Onze entidades do Norte do Estado já confirmaram participação no fórum que vai discutir problemas e apontar soluções no impasse entre concessionárias que exploram o pedágio nas rodovias do Anel de Integração, governo e usuários. O fórum, que vai ser realizado no próximo dia 11, às 16 horas, no Hotel Sumatra, será coordenado pelo presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Muniz. Segundo ele, a procura das entidades é surpreendente e mostra o quanto é oportuna a discussão do tema, sugerido pelo superintendente da Folha de Londrina/Folha do Paraná, ex-ministro e ex-senador José Eduardo Andrade Vieira.
De acordo com Muniz, o fórum está aberto para outras entidades interessadas em debater o pedágio. As que já confirmaram presença são Sociedade Rural do Paraná, Sindicato da Indústria da Construção Civil, Sindicato dos Condutores de Veículos do Paraná, Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas, Sindicato Rural de Londrina, Grupo Promotor do Desenvolvimento Regional, Associação Comercial e Industrial de Londrina, além das cooperativas Valcoop, Corol, Cativa e Central Norte. A Associação Brasileira da Indústria Moageira de Milho (Abimilho) e a Cotrasul também foram convidadas.
Na opinião de Muniz, todas as concessões merecem maior participação dos usuários, principalmente porque é o consumidor quem paga a conta. Ele lembra que hoje o foco da discussão se dirige para o aumento de 116% na tarifa do pedágio obtido pelas concessionárias na Justiça. O reajuste, que entraria em vigor no próximo dia 27, foi suspenso até o julgamento do mérito do processo. O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar) está contestando os valores na Justiça.
Hoje o que se debate é o aumento. E amanhã, qual será o tema? O que precisamos é de um projeto definitivo e a única forma de garantir o acesso do cidadão é com a participação do usuário, expõe Muniz.
Para o presidente da Avipar, a questão deve ainda ser avaliada sob a ótica de custo/benefício. Para ele, com a garantia da presença do usuário na Agência Reguladora das Concessões, que deve ser criada na Assembléia Legislativa, entidades civis teriam espaço para definir as prioridades das obras junto com concessionárias e governo.
O usuário, representado pelas entidades sindicais, pelas transportadoras, pelo setor agrícola e dos produtores, teria o direito de escolher os investimento. Já que paga, tem que ter o direito de escolha, argumentou. De acordo com Muniz, essa definição seria feita com base em critérios macrorregionais e ajudaria na distinção entre o que é manutenção e o que é investimento. Manutenção se paga eternamente, mas o investimento se paga por um período cíclico, exemplificou.
O presidente da Avipar entende que o governo deve compreender a manifestação de boa vontade da sociedade que, segundo ele, está se oferecendo para ajudar a resolver as pendências em relação ao pedágio. A comunidade pede o direito de participar daquilo que ela paga, afirmou. Ele acredita que o governador Jaime Lerner (PFL) irá entender o espírito de colaboração e perceber que está reunindo aliados. Vamos sorrir juntos e chorar juntos, afirmou.
Segundo ele, se há reparos no programa de concessões, as entidades propõem fazê-los junto com o governo. Muniz não prevê como as empresas que exploram o pedágio vão receber a idéia. Se estiverem embuídas em um pensamento positivo, recebem bem. Se não quiserem criar condições é porque não estão com boa intenção e aí o governo tem que agir, pregou. O industrial disse que a comunidade concorda que, como empresa, as concessionárias têm que dar lucro. Mas o ganho tem que ser pautado no suportável, defendeu.





