O Fórum Popular Contra a Venda da Copel realizou ontem, em Curitiba, o enterro simbólico dos 27 deputados governistas que votaram a favor da venda da estatal de energia e também do presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB). O ''cortejo fúnebre'' saiu da Praça Santos Andrade, ao meio-dia, em direção à Boca Maldita, onde foi feito o enterro dos 28 parlamentares e o lançamento da campanha pelo plebiscito para decidir o futuro da estatal.

Participaram do protesto estudantes, sindicalistas, professores e deputados da oposição. Ao final do ato, eles atearam fogo nos caixões, feitos de papelão. No dia 17 deste mês, em frente à Assembléia Legislativa, eles pretendem fazer o enterro simbólico do governador Jaime Lerner (PFL).

Na avaliação da oposição, os deputados que votaram contra o projeto popular que impedia a venda da empresa de energia não vão conseguir se reeleger no próximo ano. O presidente do Legislativo não votou (só votaria em caso de empate), mas foi incluído no protesto porque a organização do fórum acredita que ele apoiaria o governo. Brandão não declarou qual seria seu voto e garante que conduziu a sessão com imparcialidade.

Apesar de ser um ato simbólico, a manifestação tem força política e bate de frente com o principal projeto de Lerner. Ele pretende levar a Copel a leilão no dia 31 de outubro. ''O enterro é simbólico, mas na essência significa um enterro político, um apagão eleitoral'', definiu o presidente da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES), Edmir Maciel.

A campanha pela realização do plebiscito foi feita simultaneamente nos principais centros do Estado. As mais de 400 entidades e Câmaras Municipais que integram o fórum popular ficaram encarregadas de divulgar a campanha ''Copel Plebiscito, Já!'' em todo Paraná.

Na semana passada, a bancada de oposição apresentou com 24 assinaturas projeto instituindo a consulta popular. A matéria aguarda votação e, se aprovada, o processo de privatização fica suspenso até o resultado sair das urnas. O líder do governo, Durval Amaral (PFL) quer derrubar o plebiscito e prometeu fazer uma consulta entre os 399 prefeitos. Ele acredita que a maioria será favorável à venda. O governo argumenta que a consulta popular deveria ter sido proposta antes do início do processo de venda.

O Palácio Iguaçu está confiante que o processo de privatização cumprirá o cronograma, independente dos protestos prometidos pela bancada de oposição na Assembléia Legislativa e pelo fórum.

O projeto popular que revogava a autorização concedida pelos próprios deputados em 1998 para o Estado vender a Copel foi derrubado no último dia 20, por 27 a 26 votos. Durante a semana passada, o governo adotou como estratégia o esvaziamento das sessões, para impedir a votação do plebiscito e outros temas relacionados à Copel. A oposição ficou irritada e quer punir os faltosos, acusando-os de ferir o decoro parlamentar.

A organização do fórum popular quer aumentar o número de entidades favoráveis ao plebiscito, atingindo cerca de 700 entidades 300 a mais do que as já cadastradas.

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