Os organizadores do Fórum Popular Contra a Venda da Copel começam a partir de segunda-feira uma nova ofensiva para impedir a privatização da estatal de energia. Entre as ações previstas, o coordenador executivo do Fórum, Nelton Friedrich, destaca que serão intensificadas as vigílias nas bases eleitorais dos deputados estaduais favoráveis à privatização da empresa, que o governo pretende realizar em outubro ou novembro.
O Fórum também deve mudar a configuração do painel com o nome dos 54 deputados e sua posição quanto à venda da empresa. Uma das alternativas é manter no placar somente o nome dos parlamentares que apóiam a decisão do governo. ‘‘Seria o placar dos traidores’’, disse um dos organizadores do Fórum, que reúne centenas de entidades e instituições contrários à privatização.
Friedrich revela que o Fórum vai organizar em conjunto com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) um seminário para discutir a crise energética que o País atravessa e a venda da Companhia Paranaense de Energia. A data, segundo ele, ainda não está definida, mas o seminário deve ocorrer no início do próximo mês. A UFPR é mais uma das instituições que entra na discussão da venda, já condenada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), pela Associação Comercial do Paraná (ACP), pela Igreja Católica e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PR).
Outra estratégia dos organizadores será o acompanhamento do projeto de iniciativa popular, que foi entregue ao presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), no começo da semana, após uma marcha que reuniu milhares de manifestantes no Centro Cívico, sede dos três poderes no Estado. A Polícia Militar, que num primeiro momento calculou a participação de 15 mil pessoas na manifestação, estimou mais tarde a presença de três mil manifestantes. Pelos cálculos do Fórum, cerca de 20 mil compareceram à marcha.
Nelton Friedrich lembrou que apesar da discrepância dos números, a iniciativa da marcha foi um sucesso e pela primeira vez na história do Paraná, um projeto popular foi entregue à Assembléia. ‘‘Entregamos um projeto com a assinatura de 120 mil paranaenses que não querem que a Copel seja vendida, mas o número de adesões não parou e hoje já temos mais de 130 mil nomes’’, diz o coordenador.
Segundo Friedrich, o projeto deve entrar na pauta de votações e ser apreciado pelos deputados após o recesso parlamentar de julho. ‘‘Este mês, com os feriados que tivemos, e consequentemente um número menor de sessões, será praticamente impossível o projeto entrar em pauta.’’
Esta semana, o deputado Divanir Braz Palma (PST), da base aliada ao Palácio Iguaçu, protocolou projeto suspendendo a lei que autoriza o Executivo a vender a Copel, por 90 dias. O argumento do deputado é que a crise de energia inviabiliza a venda da estatal neste momento.
O Palácio Iguaçu informa que vai cumprir a Lei 12.355/98, que autoriza a privatização da estatal. O texto prevê que 70% do montante obtido deverá ser aplicado no fundo de previdência e os 30% restantes em investimentos em saúde, educação, geração de empregos e outros. Porém, a oposição aponta uma armadilha. O texto diz que os 70% vão ‘‘primordialmente’’ para a previdência. Para a oposição, o governo pode usar essa palavra como brecha e dar outro destino aos recursos.

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