Fórum coleta assinaturas contra venda
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sexta-feira, 23 de março de 2001
De Curitiba 
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel começou ontem a coletar, em 100 municípios, assinaturas contra a privatização da estatal de energia. O objetivo é recolher um milhão de assinaturas e pressionar o governo e os deputados estaduais a revogarem a Lei 12.355/98, que autoriza a venda da estatal. Em Curitiba, foram colocadas faixas de protesto na Boca Maldita (centro). A coleta continua pelo interior do Estado nos próximos dias.
Na próxima semana será instalado um painel na Boca Maldita e outros locais com os nomes dos deputados que são contra, a favor e indecisos. Vamos constranger os deputados que votam pela privatização, declarou um dos coordenadores do Fórum, Ismael Alves de Moraes. Levantamento da Folha revela que 28 dos 54 deputados são contra, 19 estão indecisos e sete são favoráveis.
A previsão do Executivo é realizar o leilão entre outubro e novembro. Dois projetos foram protocolados na Assembléia Legislativa prevendo a revogação da lei, mas ainda não chegaram ao plenário.
O Fórum conta com o apoio de diversas entidades. O diretor do Sindicato dos Eletricitários, Jorge Felipe Grein, defende que os lucros da Copel permaneçam com o Estado. A diretora do Sindicato dos Bancários, Júlia Dorigan, lembra das demissões que vieram com a privatização do Banestado, vendido em outubro do ano passado ao Banco Itaú.
Grein não aprova a proposta do presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), que estuda a possibilidade de privatizar apenas a transmissão e distribuição de energia, mantendo a geração em poder do Estado. A Copel inteira tem que permanecer estatal.
A Secretaria de Fazenda explica que para serem mudados os termos da privatização todo o processo teria que ser revertido, incluindo a escolha das advisers, as empresas que estão fazendo a modelagem para a venda da estatal.
Na Assembléia, o clima em relação ao assunto é tenso. O líder do PPB, Tony Garcia, vai se reunir com a bancada de oposição na segunda-feira para decidir se será pedido regime de urgência na votação do projeto que revoga a Lei 12.355/98. Renuncio ao mandato, mas não volto atrás na revogação, prometeu. E não retiro esse projeto de jeito nenhum. Se ele retirar seu projeto, inviabiliza automaticamente o da oposição, que foi anexado ao seu.
A bancada de oposição pretende apoiar a intenção dos partidos de sustentação ao governador Jaime Lerner (PFL) de cancelar a convocação do presidente da Copel e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, marcada para terça-feira. A assessoria de imprensa do secretário disse que, apesar da hostilidade dos deputados, ele não se sente constrangido em comparecer na Assembléia.
O Palácio Iguaçu diz que a Copel vai perder competitividade se não for privatizada e que obedece ao programa de desregulamentação do setor elétrico do governo federal. A oposição acusa o governo de querer se desfazer da empresa para socorrer as finanças. O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, já admitu a existência de problemas de caixa, mas Hubert nega que a Copel esteja sendo vendida por problemas financeiros.


