O procurador-geral de Justiça do Paraná, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, que participou de reunião com promotores de Londrina ontem, afirmou que o foro privilegiado dos prefeitos é um dos fatores que atrasa o julgamento e a possível punição dos envolvidos. ''O julgamento na mesma comarca onde supostamente ocorreu o crime dá à comunidade a possibilidade de acompanhar de perto os atos processuais e acaba tornando o processo mais célere'', avaliou o procurador, frisando que a postura do Ministério Público é contrária ao foro por prerrogativa de função, criado através de emenda à Constituição.
O procurador também acredita que o julgamento na comarca do prefeito permite que o juiz ''saiba qual foi a repercussão que o fato criminoso causou na comunidade''. ''Crimes praticados por agentes públicos ou funcionários públicos peculatários, na essência, são aqueles que desviam recursos que deveriam ser aplicados em políticas sociais públicas de que a população precisa.''
Em Londrina, atualmente, está sob análise da Procuradoria do Ministério Público investigação feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que aponta suposto envolvimento do prefeito Barbosa Neto (PDT) e de sua esposa, Ana Laura Lino, no esquema de desvio de dinheiro público através da Saúde. O casal teria recebido propina para permitir a contratação do Instituto Atlântico, entidade que ao lado do Instituto Gálatas executava contratados da Saúde.
As investigações referentes às denúncias no Gálatas, que não envolvem o chefe do Executivo, tramitam na 3 Vara criminal de Londrina, e já estão bastante adiantadas. Todas as testemunhas de acusação já foram ouvidas. Em contrapartida, no caso das investigações do Instituto Atlântico, que envolvem o prefeito, o procurador Samir Barouk ainda depende de diligências para decidir se oferecerá denúncia ou se arquivará o processo. ''No momento em que achar que há elementos suficientes, ele (Barouk) leva ao procurador-geral para discussão, no sentido de oferecer denúncia ou arquivar'', explicou Sotto Maior. ''O prazo depende das diligências que estão sendo realizadas.''

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