Uma das alternativas, citada pelo professor Mantega, um dos principais articuladores do programa de Lula-presidente, para a questão da Previdência no Brasil é a formalização do trabalho para aumentar a receita com a folha de pagamento. Outras idéias são a universalização da previdência pública e privada e a reformulação dos altos salários do funcionalismo público.
Não foram poucas as ocasiões em que Lula apontou irregularidades e sentiu ‘‘cheiro de maracutaia’’ nos processos de privatização do governo FHC. Assim, o eleitor da frente de esquerdas sabe que privatizar não está entre os verbos preferidos do candidato, embora Lula tenha ressaltado que não adota essa posição ‘‘por princípio, mas para conservar o controle sobre setores estratégicos da economia’’. O segmento de telecomunicações estava nesse rol. No entanto, com a privatização da Telebrás, restou pouco a fazer no caso de uma vitória petista. Lula fala em auditorias.
Os economistas do PT não ignoram as dificuldades de se rever um processo de venda já efetuado. ‘‘Há limites legais e institucionais que dificultam muito e até impedem iniciativas para reestatizar’’, observa Jorge Mattoso.
Para Mattoso, as auditorias são importantes instrumentos para ‘‘avaliar a lisura do ato de privatização e possibilitar medidas futuras no sentido de se criar impostos sobre lucros excedentes das empresas’’. A idéia é inspirada no modelo inglês do primeiro-ministro Tony Blair, segundo revelam os economistas do PT. ‘‘Este é um modelo interessante também para a realidade brasileira’’, afirmam. (C.F.)

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